Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 409

Os novos desafios dos Serviços Gerontológicos Voltar

É necessário fazer mais e melhor. É prioritário mudar as estratégias no âmbito dos programas de intervenção às pessoas idosas. Estes devem procurar a sustentabilidade económica e social, não apenas numa perspetiva de acrescentar mais anos de vida, mas que esses anos sejam vividos com qualidade. Para isso é essencial possibilitar ofertas de apoio diversificadas e de qualidade às comunidades.

As problemáticas dos idosos, numa sociedade cada vez mais envelhecida, são, naturalmente, cada vez mais graves, desde as fragilidades sociais, inerentes a esta faixa etária, passando pelos maus tratos e pelo abandono. A preocupação da sociedade deve ser diminuir estas debilidades e, para isso a prevenção é uma condição essencial e fundamental.

Esta problemática que afeta os dias de hoje e que, se não forem tomadas as medidas certas, se agravarão no futuro, está diretamente relacionada com as necessidades do ponto de vista do ser humano que envelhece. É premente encarar o envelhecimento como um processo individual, íntimo e único, com vista a colmatar as carências de cada um.

Com o avanço da idade, o ser humano ganha em experiência, sabedoria e maturidade. Inevitavelmente, surgem também os mais diversos sinais de envelhecimento e aceitar este quadro de transformações e limitações nem sempre é fácil. Nem todos conseguem encarar da melhor maneira as transformações físicas, psíquicas e comportamentais. Saber lidar, de forma equilibrada, com as necessidades e limitações requer uma atitude proativa na promoção da qualidade de vida e do bem-estar.

Frequentemente, o idoso carrega consigo a preocupação íntima de constituir um peso para a família. Nesta fase de vida, muitas famílias ainda não estão preparadas, nem mentalizadas, para assumir a responsabilidade de cuidar do idoso. Na maioria dos casos, isso implica uma reorganização do quotidiano e aceitar novos desafios que ajudem a minimizar a perda de capacidades por parte do idoso.

O idoso começa por apresentar pequenas limitações na realização das suas atividades diárias, como utilizar meios de transporte, gerir o próprio dinheiro e/ou a medicação, fazer compras e outras debilidades que tanto podem ser físicas como mentais.

No quadro deste desafio social alargado é importante que as instituições adotem uma nova postura e dinâmica no apoio domiciliário. Os colaboradores destas instituições devem ser dotados de competências específicas para poderem fornecer um acompanhamento mais individual, maior interação e socialização, com mais momentos de lazer e estimulação.

Por outro lado, este apoio individual deve também ser complementado ao nível do apoio técnico, com serviços de enfermagem, fisioterapia, animação, entre outros, sempre numa perspetiva de prestar uma resposta de maior proximidade e dotada de maior conteúdo funcional.

 

Tendo em conta que os idosos recorrem primordialmente às Unidades Locais de Saúde, estas podiam ter equipas de intervenção prioritária junto da população idosa, com o objetivo de fazer uma prevenção profícua, impedindo o aparecimento de carências.

Estas equipas seriam constituídas por equipas multidisciplinares – enfermeiros, psicólogos e animadores socioculturais – nas quais os vários técnicos trabalhariam numa perspetiva de prevenção.

Considerando o aumento expetável do número de idosos e da esperança média de vida, bem como a alteração do perfil da população idosa, Portugal precisa, urgentemente, de ajustar as estratégias políticas que devem ser promovidos nos serviços e recursos humanos da esfera social, apostando mais na prevenção para evitar tratamentos, por vezes dispendiosos e dolorosos. 

- 11 Fev, 2020
- Bruno Trindade