Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 414

COVID 19 Voltar

O SARS-CoV-2 (vírus responsável pela doença COVID 19) faz parte da família dos coronavírus (HCoVs), uma grande família de vírus humanos e animais de vírus RNA que representa 10 a 30%1 das infeções respiratórias ligeiras nos seres humanos. Tendo em conta a sua referida natureza ligeira, pouca importância era dada a este vírus, até há relativamente poucos anos.

No ano de 2002, na China, detetou-se um vírus muito semelhante ao SARS-CoV-2, que infetou 8.098 pessoas entre 2002 e 2003 e matou 774 em todo o mundo. A este vírus foi conferida a designação SARS (SARs-Cov-1) e foi possível apurar que o seu reservatório era o morcego.

Dez anos depois, em 2012, foi identificado outro vírus da família corona, o Middle East Respiratory Syndrome (MERS). Este provocou 858 mortes de entre 2.494 infetados, com incidência maioritariamente na Arábia Saudita. Esta patologia registou uma taxa de mortalidade de 36%, tendo sido o morcego sido novamente identificado como o seu reservatório natural.

Em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China, foi detetada a presença do SARS-CoV-2 (COVID 19) em vários doentes que, alegadamente, teriam frequentado o mercado alimentar de Wuhan Seafood Wholesale. Devido à capacidade de contágio muito elevada e a um crescimento exponencial no número de infetados para fora das fronteiras de Wuhan e da China, a 30 de janeiro de 2020 foi declarada Emergência de Saúde Pública pela Organização Mundial de Saúde (World Health Organization – WHO). Neste momento, ainda não foi cabalmente identificado o seu reservatório.

A COVID 19 apresenta transmissão animal-humano e entre as próprias pessoas, registando-se uma taxa de contágio elevada, inclusivamente a transmissão por indivíduos sem sintomas. O contágio dá-se pelas gotículas projetadas por espirros ou tosse posteriormente inaladas ou absorvidas pelas mucosas (boca, nariz e olhos), estimando-se que o vírus possa permanecer nas mãos e superfícies durante mais de 24 horas. Além disso, este vírus apresenta um período de incubação entre 2 e 14 dias.

Os sintomas mais comuns são a febre e a tosse, seguidos de dificuldade respiratória. Embora menos frequentes, podem também surgir outros sintomas como as dores musculares, aumento dos gânglios e diarreia (maioritariamente nas crianças).

A COVID 19 apresenta-se com sintomas ligeiros em 80% dos doentes. Com efeito, é frequentemente identificada como uma espécie de gripe. No entanto, os restantes 20% apresentam quadros mais graves como pneumonia, podendo evoluir para um Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda e, consequentemente, originar uma necessidade de cuidados intensivos como intubação e ventilação. Estes casos surgem maioritariamente em indivíduos de idade mais avançada, do sexo masculino, hipertensos, obesos, com problemas cardiovasculares ou pulmonares e diabéticos.

Saliente-se, porém, que um quadro grave poderá surgir em qualquer pessoa infetada.

Apesar da percentagem de casos graves ser relativamente reduzida, é facilmente percetível que, quanto maior for o número de infetados, maior será o número de óbitos. Acresce que, infelizmente, o Serviço Nacional de Saúde tem recursos finitos, o que dificulta ou impossibilita uma resposta adequada a todos os doentes com ou sem COVID 19.

Assim, torna-se fundamental suprimir ou, pelo menos, mitigar as cadeias de transmissão ou contágio para diminuir ao máximo o número de casos de infetados. Pelo que é imprescindível implementar algumas medidas que devem ser cumpridas por todos, tanto no domicílio, como no exterior.

- 17 Mar, 2020
- Dr. Catarina Gonçalves