Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 431

A Pandemia COVID-19: haverá maiores riscos de infecção para quem tem alergias? Voltar

 

A actual pandemia COVID-19 é uma doença viral bastante contagiosa que está a afectar todo o mundo, sendo causada por um coronavirus chamado SARS-CoV-2. A doença teve início no final de 2019, na China mas foi-se disseminando pelo mundo fora, tendo já sido declarada como pandemia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Até à data, a COVID-19 já afectou quase 2.550.000 pessoas em todo o mundo, com uma razão caso-fatalidade de cerca de 7%.

 

O vírus entra no organismo pela via respiratória e, numa fase inicial, fica alojado no nariz e garganta. O mais frequente é não causar nenhum sintoma ou apenas sintomas compatíveis com uma ligeira constipação ou gripe. Contudo, caso o SARS-CoV-2 não seja destruído pelas defesas do organismo (sistema imunitário), vai progredindo pelas vias respiratórias até chegar aos pulmões onde pode induzir pneumonias graves, com inflamação descontrolada.

 

Alguns factores podem aumentar a probabilidade de haver uma evolução mais grave da doença. Será que as alergias também podem ser um factor de risco para uma doença COVID-19 mais grave?

 

Para respondermos, teremos de ver o que é uma “alergia”. Trata-se de uma reacção exagerada do organismo a substâncias do meio ambiente que geralmente toleramos sem problemas. Por exemplo, se alguém desenvolve uma alergia aos ácaros do pó da casa, pode passar a reagir contra partículas desses organismos, após as inalar. Essas reacções podem ser de rinite alérgica ou de asma brônquica. O mesmo se passa em pessoas alérgicas aos pólenes, se bem que, nestes casos, costuma haver mais sintomas dos olhos e do nariz do que sintomas de asma. Mas uma pessoa também pode ter alergias a alimentos, a medicamentos, a venenos de insectos (como as abelhas e as vespas) e a outras substâncias com as quais contactamos, com manifestações em órgãos como a pele (por exemplo, urticaria / “babas”).

 

Nas reacções alérgicas, o organismo liberta vários produtos (histamina e outros), que também causam inflamação. É por isso que é importante a toma de anti-histamínicos por períodos variáveis, em certos casos. Mas também é por isso que é fundamental tomar, de acordo com as indicações dadas pelo médico, e quando necessário, medicamentos que combatam a inflamação (por exemplo, corticosteroides por spray nasal, nos casos de rinite, ou por inalador/”bomba” para os brônquios, nos casos de asma), para manter a inflamação no mínimo e um bom controlo da doença.

 

                Até agora, não parece haver nenhum risco de doença COVID-19 mais grave em pessoas com alergias, mesmo nas que tomam medicação anti-inflamatória regular. Na realidade, considera-se ser fundamental manter todo o tratamento de base, incluindo anti-inflamatório, que uma pessoa alérgica faça, de forma ajustada, bem como dar início a tratamento sempre que houver um agravamento dos sintomas.

                Nos casos em que os doentes efectuam tratamentos de dessensibilização contra alergias (“vacinas”), estes devem ser continuados, embora possa haver necessidade de espaçar mais as administrações, de forma a minimizar o número de vindas às unidades de saúde.

 

                É fundamental, para além de se continuar a tomar os medicamentos prescritos para as doenças alérgicas, de acordo com as indicações e as necessidades, manter todos os cuidados aconselhados para prevenção da infecção COVID-19. Lavar as mãos com regularidade, manter a distância de segurança quando se conversa com outra pessoa, usar máscara com a maior regularidade possível são algumas das medidas aconselhadas e eficazes.

 

                Acima de tudo, é preciso não desesperar com estes tempos difíceis COVID-19! Não vai ser fácil e muitos hábitos terão de ser modificados. Mas tempos melhores hão-de vir e é preciso ter esperança, sensatez, força e confiança porque havemos de ganhar esta guerra!  

- 28 abr, 2020
- Luís Taborda Barata
- Professor Catedrático de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, UBI Imunoalergologista, Director do Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira