Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 421

EDITORIAL: E agora? Voltar

«Nestas épocas não se pode cair outra vez no mesmo erro de receberem sempre os mesmos, não podemos voltar à velha história de quem tem dinheiro é que ganha com as crises. Os bancos, as grandes multinacionais, entre outros. Aliás é inconcebível a banca cobrar juros de créditos para apoio da revitalização à economia da Covid-19, quando foram estas instituições tão ajudadas pelos portugueses e que receberam milhões de impostos quando estavam em crise»

 

Entrámos na segunda fase de desconfinamento e, neste momento o comércio e a indústria começam a funcionar. A pouco e pouco as pessoas vão retomando a sua vida, com mais ou menos dificuldade. No entanto há uma questão que se impõe, depois de dois meses em que a economia parou e a circulação de dinheiro foi diminuta, pois a maioria do comércio encerrou. E agora? Como vamos fazer a nossa retoma? Como vai ser a vida do pequeno empresário, e do gestor de uma microempresa? Como vai ser o retomar da vida daqueles que ficaram sem emprego, ou dos que depois do layoff não vão voltar a trabalhar? Estas são perguntas importantes e que merecem uma resposta, até porque o lento retomar da economia vai necessitar de mais apoios, embora estes tenham que ser distribuídos equitativamente. Não interessa libertarmos 150 milhões de euros para a economia, e essa fatia ser distribuída por meia dúzia de grupos económicos. O que interessa é que o dinheiro injetado na economia chegue a todos, principalmente aos que mais precisam, aos mais pobres, às empresas que vivem do seu dia-a-dia. A redistribuição justa é mais importante que a quantidade de verbas a injetar para revitalizar a economia. E é também que entra o interior do país. Novamente! Onde mais uma vez os apoios tardam em chegar, aliás como jornalistas andamos diariamente na rua e ouvimos as queixas dos pequenos empresários, das pequenas empresas que entraram em layof, do restaurante da esquina que não pode abrir porque não tem dinheiro para os produtos de higiene que as novas leis exigem. É aqui que reside mais uma vez o problema, na distribuição justa das verbas, até no que concerne às regiões do país.

Nestas épocas não se pode cair outra vez no mesmo erro de receberem sempre os mesmos, não podemos voltar à velha história de quem tem dinheiro é que ganha com as crises. Os bancos, as grandes multinacionais, entre outros. Aliás é inconcebível a banca cobrar juros de créditos para apoio da revitalização à economia da Covid-19, quando foram estas instituições tão ajudadas pelos portugueses e que receberam milhões de impostos quando estavam em crise.

Enquanto a velha história não mudar continuaremos na mesma. Vamos esperar para ver, no entanto é importante que as pessoas voltem a ter confiança e consumam no comércio local, nos produtores locais, naquilo que é nosso. Será uma boa ajuda para revitalizarmos o nosso comércio e ajudarmos aquilo que é nosso!

- 19 mai, 2020
- Vítor Aleixo