Espaço Literário: "Andorinhas" por Catarina Crocker
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ANDORINHAS
Contemplo a beleza,
Não a paisagem,
Nem o objeto,
Mas a tua contemplação da paisagem,
O teu olhar repousado,
Pensamento irrequieto.
Oiço, de forma ampliada,
Os gritos das andorinhas,
Neste fim de tarde alvoraçado,
Como que a tentarem vasculhar
O gesto aparentemente calmo,
Dentro da tua introspecção,
Contemplação desviada.
Oiço a tristeza,
Não da paisagem,
Nem do objeto contemplado,
Mas do teu peito destroçado,
As tuas dúvidas ,
Nas asas destas aves levantadas.
Gritos da alma inconformada,
Piam enquanto voam desaustinadas:
Porquê? O quê? Para quê?
Perguntas com cada lágrima guardada.
São afinal estes sobressaltos,
destas andorinhas perplexas,
que podem mudar rumos
neste fim de tarde perturbado.
Peço-te que dirijas aí o voo da tua atenção
Repousado antes no belo regresso das aves desnorteadas
E no seu acordar esperançado.
- 19 mai, 2020
- Catarina Crocker