Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 431

A UBI e a região: pulsar juntas Voltar

O ensino, a investigação e a partilha com a sociedade são pilares indissociáveis no cumprimento da missão de uma Universidade. Se, por um lado, o ensino e a investigação terão de estar sempre fortemente interrelacionados, por outro lado, ambos devem ligar-se intrinsecamente à comunidade e à sociedade, devendo esta relação ser sempre uma via de dois sentidos. Ações desenvolvidas em nome desta articulação do ensino e da investigação com a realidade da região não podem ser esporádicas e avulsas. Têm de ser estrategicamente enquadradas e ter um pulsar conjunto.

 

A investigação é fundamental para um ensino de qualidade, o avanço do conhecimento contribui para o desenvolvimento de competências que possam responder às necessidades da sociedade, nas suas diferentes vertentes. Contudo, esta ligação não pode ser entendida como uma transmissão de via única, que parte da universidade, entendida como produtora do saber, para a comunidade, entendida como recetora passiva do conhecimento. É fundamental que as ações de ligação à comunidade não estejam desligadas do contexto social, económico e cultural do território, e que a comunidade seja efetivamente envolvida, de modo a não ser apenas objeto de intervenção, mas também sujeito dessa intervenção. 

 

Neste contexto, a Universidade da Beira Interior, a UBI, deve ser parte na resolução de problemas da região, além da sua função global virada para o país e para o mundo. A UBI deve posicionar-se como agente de promoção de desenvolvimento da região, procurando parcerias com outras instituições do território, identificando necessidades e criando soluções por via da inovação. Este desenvolvimento, para além da dimensão económica, deve ser pensado de forma sustentável e ética, e ser orientado por valores fundamentais, como a justiça social, equidade, diversidade, cidadania e solidariedade.

 

Uma universidade com futuro é uma universidade que abraça o seu tempo. Hoje, a nossa sociedade enfrenta enormes desafios sociais, económicos, ambientais e de outros níveis, como o da crise de saúde pública que estamos a atravessar neste momento. As universidades devem ter um papel fundamental para ajudar a atravessar estes desafios, dizer presente, com respostas e mobilização de capacidades. Exemplo profícuo desta colaboração é o laboratório para testes Covid montado em tempo record pelo Centro de Investigação em Ciências da Saúde da Faculdade de Ciências da Saúde, em estreita articulação com o CHUCB e as autarquias da região. Esta interação é particularmente importante num território como o nosso, onde todos os agentes regionais (autarquias, empresas, instituições de saúde, associações, etc.) devem identificar possibilidades de colaboração, num diálogo próximo, permitindo identificar as potencialidades da região. Portanto, não deve ser a exceção, mas o impulso para um pulsar mais comum entre a UBI e a região.

No futuro, a UBI deve mostrar mais à região a investigação que é desenvolvida nos seus Centros de Investigação e Desenvolvimento. Para a comunidade onde vivemos conhecer o que fazemos, mas, além disso, para identificar em conjunto com os diferentes parceiros, como colocar esta investigação a contribuir para a promoção da competitividade da região. Este é um passo crucial e, portanto, um compromisso que, no meu entender, deve ser assumido de forma clara e decidida. A UBI possui várias competências ao nível da investigação que poderão impulsionar desenvolvimento em múltiplas áreas, por exemplo na área da saúde, investigando mais-valias de produtos da região, como os estudos que têm sido desenvolvidos sobre as cerejas, na área social, trabalhando questões de género, de desenvolvimento regional ou representando a universidade em redes e parcerias regionais. Na interface entre a I&D da UBI e o tecido empresarial, o UBIMedical é um bom exemplo da possibilidade de partilha com a região, e que vai ao encontro do espírito do projeto que lhe deu origem. Também na área da cultura, sem dúvida a política cultural da UBI deve ser organizada a pensar na comunidade da região, em articulação com as diferentes agendas culturais, da cidade da Covilhã e dos municípios do território mais vasto da Beira Interior onde a universidade está inserida. Outras colaborações poderiam ser mencionadas na área das engenharias ou das ciências, e muitas outras têm um potencial de interface ainda a explorar.

 

Em suma, de múltiplas formas, os serviços e as infraestruturas da UBI podem fazer parte das estruturas de suporte do pulsar da região para impulsionar o seu desenvolvimento estratégico de uma forma integrada, inclusiva e participante. Em conjunto, reunindo esforços, dialogando, pode chegar-se mais facilmente aos diferentes instrumentos de financiamento, potenciando a possibilidade de conseguir projetos que sejam respostas de desenvolvimento por que todos ansiamos.

 

- 30 jun, 2020
- Ana Paula Duarte