Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 431

Black Lives Matter Voltar

 

É certo e sabido que o racismo é um problema iminente e atual, que ganhou uma nova voz recentemente através do assassinato (não acho discutível o termo) de George Floyd. Após esta tragédia e a sua falta de justiça, gerou-se grande revolta nas redes sociais por parte de celebridades e da comunidade em geral, à exceção claro de preconceituosos que esquecem ou de todo não sabem o que é a necessidade de respeito para com o outro e que provavelmente se importam mais com a cor das pessoas do que com a pandemia atual.

Da minha perspetiva racismo e todos os atos que incitem ódio, faltas de respeito etc., acontecem devido à falta de sensibilidade existente na sociedade, ligada certamente à estupidez e fracos valores pessoais. Algo que com isto tudo se pode comprovar que não era nem nunca foi mito, foi a supremacia branca, ou por outras palavras o privilégio branco. E é algo que dá que pensar, pois se Geroge Floyd fosse branco, estaria com um joelho ao pescoço tanto tempo ou inclusivamente morto? Provavelmente não. Sabendo da existência deste privilégio, porquê nega-lo e não usá-lo a favor da causa? Vários foram e são os protestos que acontecem na América e vários são os vídeos desses protestos que chegam até nós através das redes sociais. Um desses vídeos que mais me marcou foi o de um polícia a enfrentar um protestante de cor e rapidamente uma outra protestante, branca, pôs-se à sua frente para que nada de semelhante ao que aconteceu a Floyd lhe acontecesse. Se jovens entendem e lutam pelo correto e justo, porque os adultos não fazem o mesmo?

O tópico “racismo” tornou-se viral e finalmente é abordado ativamente, o que originou a tag #BlackOutTuesday, como forma de não se ignorar a sua existência e assim apoiando a causa. Como sabem, a minha rubrica é sobre moda e devem estar-se a perguntar o que o racismo tem a ver com a moda. Bastante. Não irei falar das oportunidades das modelos de cor, diferenças salariais ou representatividade, mas sim de um exemplo concreto ligado às redes sociais e ao oportunismo.

Foi notícia e tornou-se viral, o vídeo de uma influencer russa, Kris Schatzel, a tirar fotos no meio de um destes protestos, fazendo pose segurando a placa com o nome do movimento e usando um vestido que era tudo menos prático para o propósito do protesto. A influencer de moda defendeu-se dizendo que queria tirar uma foto ilustrativa do movimento e mostrar o seu apoio a causa. Terá sido esta a forma correta de o fazer? A meu ver não, de todo, mas é apenas a minha opinião. O movimento precisa de seriedade e compromisso com a causa e não com os jeitos do cabelo ou a elegância do vestido (que diga-se de passagem, era bem bonito).

A população precisa de ser reeducada quanto a esta insensibilidade gigante, quanto à tolerância, amor e respeito, só quando estes valores forem completamente bem entendidos, esta luta e outras, como a LGBTQ+ (pois junho é mês de orgulho), acabarão!

- 30 jun, 2020
- Tiago Matos