Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 436

Nas «urgências» Voltar

Portugal está partido em dois, de um lado está a Saúde e do outro a Economia, mas com o mesmo epicentro: as pessoas. Não pretendo comparar, simplesmente porque não há comparação possível nesta situação excecional provocada pela pandemia Covid-19.

Em verdade, o maior património de uma empresa não são os seus bens, as suas infraestruturas, os seus equipamentos ou tecnologias, as suas carteiras de clientes ou mesmo as contas bancárias, são sim as pessoas, os seus colaboradores. Os colaboradores são a espinha dorsal de qualquer organização e é neles que os empresários devem apostar ao longo dos anos e também nos contextos de crise. Estou certo de que se hoje colocarmos a salvo os nossos colaboradores, teremos depois desta tempestade pessoas prontas a arregaçar as suas mangas em prol das atividades das empresas e com certeza que a recuperação do nosso tecido empresarial será muito mais célere.  

Agora é época de plantar com urgência. Os empresários terão agora de plantar e cuidar da única semente das suas empresas, para depois desta terrível Primavera colherem o melhor resultado que algum dia colheram. Que o Governo e as nossas autarquias consigam ao longo desta crise estar à altura deste combate contra o coronavírus, que não se vislumbra fácil, sem esquecer as microempresas.

Em 2018, 90% do tecido empresarial português era microempresas, isto é, empresas até 10 trabalhadores. Estas empresas, para além de hoje precisarem do maior apoio, serão essenciais não só com vista a uma recuperação económico-financeira após este momento excecional, como ao nível do emprego.

As medidas anunciadas até ao momento pelo Governo português representam no nosso PIB 4,5%, muito longe de alguns países que rondam os 15% e os 17%, pelo que esse valor é bastante escasso face as dificuldades que temos em mão.

Neste momento, as empresas precisam com rapidez que, por um lado, lhes sejam dadas mais certezas e, por outro, de dinheiro imediato. Os pequenos empresários, onde incluo a restauração, a hotelaria, o comércio, os serviço, etc, não podem viver dias ou semanas de angústia à espera que o amanhã traga mais um pacote com outras medidas quaisquer. É impossível fazer previsões e planificações dos negócios com estas incertezas, pelo que é o momento de serem lançados todos os trunfos para a mesa, para não recuarmos para 2009. A outra necessidade é o dinheiro que tem de ser imediatamente injetado e uma das formas passa pelo pagamento dos valores de todos os pedidos de reembolsos das empresas ao abrigo dos diversos programas operacionais do Portugal 2020 e ainda o pagamento por parte do Estado daquilo que deve aos fornecedores.

Esta crise é de todos, incluindo também a banca e, por isso, as nossas intuições bancárias têm obrigação de também contribuírem com o seu esforço para a recuperação das nossas empresas, com medidas moratórias. Alguns municípios já perceberam que medidas moratórias são fundamentais para a atividade empresarial dos seus concelhos. O Governo está atrasado nesta matéria. Acredito que esta semana serão apresentadas medidas moratórias que, defendo, deveriam assentar sobre as rendas de estabelecimentos fechados e criando uma compensação fiscal para os senhorios, sobre os impostos, quer para as declarações e quer para os seus pagamentos, sobre as prestações a pagar aos bancos e sobre serviços relativos aos consumos de água, eletricidade, comunicações.

Hoje e no futuro, como no passado, as associações empresariais voltam a assumir-se como atores importantíssimos no apoio e defesa das empresas e dos seus associados, devendo unir-se entre elas, por forma a criar estratégias musculadas e com capacidade de resposta. Todos juntos venceremos!

 

 

 

 

- 24 mar, 2020
- Henrique Gigante