Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 426

"Os Novos Dias" com Joana Bento Voltar

A retoma dos dias.

Estamos na quarta semana da retoma de algumas atividades. É aconselhada a manutenção do esforço coletivo de combate à pandemia e carrega para a realidade os efeitos nefastos, sociais e económicos desta crise sanitária.

Há quem sinta na pele - de forma desigual e penosa - as suas consequências. Veja-se, a este propósito, o Relatório da ONU sobre “o impacto do Covid-19 nas mulheres”: o documento demonstra, entre outros aspetos, que o impacto pode aprofundar as desigualdades de género, que existe um aumento das situações de violência doméstica, o seu silenciamento, num contexto de grande precaridade laboral, por imposição do confinamento e revela, também, um maior tempo gasto em assistência familiar. Tudo isto compatibilizado com o trabalho, diga-se, teletrabalho.

Esta realidade - o teletrabalho - levanta inúmeras reflexões. Há quem defenda que é um modelo “novo” que poderá resolver questões de densidade territorial, um instrumento de redução de emissões de CO2 (até a hora de ponta poderá deixar de existir!) e de compatibilização de trabalho com assistência familiar, trazendo, deste modo, melhor qualidade de vida. A discussão está aberta. Porém, há pontos “velhos” que se reemergem com este tema: por exemplo, o direito a desligar do trabalho, apelidado de direito fundamental nesta nossa era digital.

A era digital - assunto velho - sempre inacabado, mas ponto chave dos dias que se seguem, encaminha o pensamento para a necessidade de dar continuidade à “imposição” do seu uso gerado pela COVID-19 em vários setores fundamentais da nossa sociedade. Encomendamos queijos em feiras de queijo online, assistimos à criação de plataformas online de venda de produtos de setores mais tradicionais, surgem plataformas digitais de registo de produtores com base na campanha “Alimente quem o Alimenta.” Tudo bons exemplos de criatividade e de adaptação.

A típica notificação judicial de marcação de uma qualquer diligência, que indicava dia e hora e uma advertência para a não comparência, passou a conter outras informações. Somos, previamente à marcação, notificados pelos tribunais a questionar, mediante acordo das partes, se possível o recurso à plataforma Cisco Webex, se as partes processuais e as testemunhas possuem um endereço eletrónico válido que forneçam ao Tribunal onde possam receber o convite para a participação na videoconferência, assim como um personal computer (computador), tablet ou smartphone com ligação à internet.

De facto, as lides não serão, seguramente, as mesmas! Usamos a máscara - as novas vestes - e não vestimos a toga, ambas obtidas por quem auxilia a justiça. De alguma forma, há que ADAPTAR também aqui.

Assim acontece em vários setores. A aquisição de vestes - sejam equipamentos de proteção individual ou novos equipamentos de tecnologia de última geração para aliar produtividade com ciência e com consciência - permitirá a manutenção do esforço coletivo de combate dos efeitos desta pandemia.

É e foi assim na saúde, na educação, na agricultura, no setor empresarial, na prática desportiva, nas instituições de solidariedade social e nas autarquias locais.

A par dos “novos” temas e desafios, surgem alertas sonoros na agenda de temas “velhos” que merecem a nossa reflexão:

A agenda informa - nas notas do evento criado - que o prazo de reclamação, que se iniciou a 3 maio, do pedido de celebração de contrato de concessão, no âmbito do Aviso nº 5628/2020, publicado na 2ª série do D.R. de 2/04/2020, sobre a concessão de exploração mineira na Serra da Argemela, está, novamente, em curso. Há que refletir sobre este assunto, ler, pesar e olhar para os exemplos bem próximos do que queremos ou não para o nosso território. Nada de novo no tema surgiu desde 2017 que me faça mudar de opinião.

Em outra nota de agenda há o alerta que já foi anunciado do alargamento do Plano de Transformação de Paisagens a mais territórios do pinhal interior. É necessário questionar mais sobre o assunto. Este alargamento vê nas florestas e no território a necessidade de políticas públicas territoriais e seletivas devido às características e aos níveis de riscos próprios de cada território, a par de sete medidas como, por exemplo, o “Condomínio de Aldeia”.

Aguardamos notícias, boas notícias, sobre a candidatura do regadio a sul da Gardunha, publicado e anunciado na imprensa nacional e regional, a correr no nosso feed noticias.

Os recursos hídricos - como o rio Zêzere - que devem merecer o nosso cuidado diário e não só em tempos de seca. É outro alerta que já está agendado. Já imaginaram a corda do rio a beneficiar dele como em outros tempos, para lazer? Não beneficiei, não beneficiámos desse recurso, apenas de boas recordações que as conversas em família revelam e que refrescam a necessidade de pedir mais cuidado e atenção a este recurso.

Quem sabe um dia, numa tarde em família e amigos, conversemos nas suas margens. Em novos dias. Mas sem a agenda ligada.

Agendemos outros temas, como as alterações climáticas e de que forma cada um de nós pode contribuir para o cumprimento da meta da neutralidade carbónica em 2050, afinal estamos todos, igualmente, convocados.

Um desafio que requer agendamento diário.

Joana Bento

 

- 25 mai, 2020
- Joana Bento