Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 426

"Os Novos Dias" com Fátima Santos Voltar

Como muitos vi a minha vida a ser adiada. Como finalista de licenciatura, vi projetos que tanto empenho tinham depositados a serem adiados, mais tarde, a serem convertidos em projetos digitais, não vivendo nós nesta era digital…

 

 Também a despedida, a despedida depois de 3 anos não foi de capa preta ao ombro e fitas na mão, não teve o sabor que imaginámos e, tornou-se um momento em que o coração apertado de todos estava reunido numa serenata, também ela online, mas o sentimento estava lá, e cá permanece.

 

A incerteza de como seria o caminho que iríamos percorrer era grande, mas se por um lado vi a sala de aula a ser substituída pelas paredes do meu quarto, por outro nunca deixei de trabalhar em atendimento ao público, e onde tudo podia ter sido mau, não foi. Senti-me útil e tentei desmistificar o medo, mas não o converti na ausência dele. No entanto, pessoalmente, sempre estive habituada a estar sozinha, mas nunca estive tão perto do sentimento esmagador de me sentir sozinha.

 

Considero atroz romantizar o período que atravessámos e o medo pelo desconhecido, não podemos fechar os olhos aos impactos, e se esta foi a minha vivência, não foi um caso isolado, estivemos todos mergulhados neste mar do desconhecido. Houve muitos casos diferentes, e bem piores, e destes, não podemos passar ao lado. Não podemos fechar os olhos aos impactos.

 

Como seria inevitável que uma reflexão sobre isto acabasse por ser feita e nos fosse assim, lançado o desafio sobre repensar os deveres de cada um nesta situação, acho que todos pensámos muitas vezes num mundo pós-covid, no regresso à normalidade, bem sabemos que é um caminho que tem de ser feito de forma gradual. Mas será que o imaginámos assim? Onde por vezes não reina a consciência, onde o outro é só o outro, e o egoísmo faz-se sentir.

 

Temos de ter forças para continuar a remar para um sentido certo, ou pelo menos, melhor que este. Vejamos isto como uma aprendizagem, uma que não pode ser ignorada, muito menos esquecida, tiremos cada um de nós as nossas próprias ilações, contudo, que não nos esquecemos que só todos juntos iremos conseguir fazer o melhor por todos e, para todos.

 

Ainda temos de continuar unidos. São novos dias que se avizinham, mas também, novas rotinas, novos hábitos e o redescobrimento de novos sentidos. Podemos ainda estar longe da normalidade, a normalidade que estávamos habituados, mas mesmo estando privados disso e, de relações pessoais agora estarem mais distanciadas, que nos lembremos que, por vezes, por muito que possa parecer, não estamos sozinhos.

 

 

Fátima Santos

 

 

 

 

- 27 mai, 2020
- Fátima Santos