Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 436

Rotas Beirãs: Parque Arqueológico do Vale do Côa, história gravada na nossa identidade Voltar

 

O Parque Arqueológico do Vale do Côa é história. Não há melhor forma para definir a quantidade enorme de arte rupestre e de figuras gravadas por mais de 200kms2 que abrangem quatro concelhos diferentes: Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Mêda. Isto torna este local e este parque num dos maiores museus naturais do planeta, que corre ao longo do rio Côa, numa magnífica paisagem natural e naquele que é um dos pulmões de Portugal, e que também chega à zona do único rio Douro.

Este parque, que faz dia 10 de Agosto vinte e quatro anos de existência, tem a fundamental missão de dar a conhecer ao mundo inteiro a arte rupestre vastíssima que o território tem, assim como a gerir e investigar, pois mesmo tantos anos depois ainda há tanto por conhecer. Só este ano surgiu a grande novidade de que fora encontrado um novo painel gravado, com mais de 6 metros de comprimento, e que continha mais de 20 novas gravuras paleolíticas, que se encontravam cobertas por camadas arqueológicas até agora. A figura maior representa um grande auroque (boi selvagem), com mais de 3,5 metros de comprimento, e é mesmo a maior figura de arte na Península Ibérica e uma das maiores do mundo. Existem ainda nessa gravura outros animais gravados, nomeadamente uma fêmea de veado, uma cabra e um fêmea de auroque seguida do seu vitelo. Os trabalhos foram suspensos na altura por causa da pandemia, mas sendo repostos procura saber-se ainda mais sobre a existência desta magnífica descoberta, mas segundo os especialistas “parecem fazer parte da fase mais antiga da arte do Côa, datada de há mais de 23.000 anos”.

A verdade é que no Vale do Côa existe a céu aberto um museu magnífico que mostra o passado do país e do mundo desde a fase da Pré-História. Um património que precisa de ser conservado e principalmente, até pela descoberta agora recente, estudado e investigado para que mais se possa saber sobre o nosso passado. Porque “um homem sem memória é um homem sem passado”. Visitem e conheçam esta parque arqueológico incrível, assim como o seu museu e todo o magnífico trabalho que vem sendo feito pela Fundação Côa Parque na preservação e exposição daquilo que outrora já fomos e que nos trouxe certamente até aqui de certo modo.

- 04 ago, 2020
- Fernando Gil Teixeira