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Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VI
Nº: 303

“É urgente afirmar pela positiva o interior do país” Voltar

fórum Covilhã (fC) - É coordenador- adjunto da Unidade de Missão para a Valorização do Interior. Era já conhecedor da realidade do nosso distrito, mas nestes seis meses teve oportunidade de percorrer o país, ficando com uma ideia global da realidade do território português. Qual o retrato que faz do país?
João Paulo Catarino (JPC) - Assistimos a uma litoralização progressiva do país, acentuando-se a tendência para o despovoamento, envelhecimento e empobrecimento das regiões do interior, as quais representam cerca de 2/3 do território nacional. Os portugueses têm hoje uma perceção muito clara e cada vez mais consensual do falhanço das políticas para a coesão territorial, da urgência de políticas capazes de contrariar a desigualdade de oportunidades e da brutal divergência entre as regiões do litoral e as regiões do interior. A perda de coesão territorial e social nos territórios do interior tem vindo a agravar-se e convoca-nos para a procura urgente de soluções que contrariem esta trajetória insustentável. Este é o desígnio do Programa Nacional para a Coesão Territorial (PNCT). Por outro lado, é urgente desconstruir uma falsa perceção de interioridade que vincula estes territórios ao atraso, e desvirtua o seu potencial. É urgente afirmar pela positiva o interior do país, impondo-se políticas públicas orientadas para este fim. No fundo trata-se de promover Portugal, fomentando a coesão do país e combatendo a desigualdade.


fC – Na sua opinião quais os setores estratégicos em que o distrito de Castelo Branco deve apostar para alcançar mais desenvolvimento?
JPC – Destacaria o agroalimentar associado a produção agrícola, a floresta e o turismo, para além de muitas outras áreas que não dependendo dos recursos endógenos devemos potenciar, como as novas tecnologias, a industria do frio, entre outras. A Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI) cumpriu o seu primeiro objetivo ao apresentar um plano de coesão territorial.


fC – Que principais medidas [foram apresentadas 164 pela UMVI] gostaria de destacar, no âmbito das que mais podem ajudar esta região a crescer a nível social e económico?
JPC – É difícil destacar das 164 medidas aquelas que poderão ter mais impacto, na medida em que é precisamente a conjugação de todas elas que permitirá desenvolver instrumentos integrados e centrados no território, que se constituam como uma resposta à necessidade de promover e dinamizar a atividade económica. As medidas contribuem ainda para a qualificação técnica e profissional da sua população, bem como pela aproximação às unidades de conhecimento e pela aposta no empreendedorismo local. Contudo destacaria as seguintes medidas: Estímulos e incentivos à criação de Emprego; Incentivos à criação ou expansão/modernização de micro e pequenas empresas existentes; Abertura de avisos específicos para Territórios do Interior - Portugal 2020; Plano Ferrovia 2020; Reforçar a valorização do ensino politécnico e universitário e a sua ligação ao tecido económico, social e cultural; Incentivos para a colocação em zona carenciada dos trabalhadores médicos; Programa + Superior. Captação de alunos para Instituições de Ensino Superior de regiões do interior.


fC – Quando se criaram serviços houve uma tendência generalizada de todos os governos para os sediar no litoral. Considera que este paradigma tem de ser alterado, sobretudo quando falamos de serviços que podem desenvolver a sua atividade, independentemente da região onde estejam localizados?
JPC – Temos perfeita consciência das dificuldades do Interior, sendo que entendemos que a valorização destes territórios passa essencialmente pelas pessoas. A resposta passa não só pelo emprego privado como também pelo público, designadamente no serviço público que pode ser realizado a partir das delegações existentes no interior do País, sendo um bom exemplo o caso das Conservatórias. Uma das medidas do PNCT é precisamente a deslocalização de serviços do Ministério da Agricultura e do Ambiente para o interior do País.
fC – Este governo já baixou ligeiramente o valor das portagens e anunciou investimentos na linha férrea, incluindo na Linha da Beira Baixa. No que concerne às portagens a redução dos preços ficou aquém das expectativas. Considera que foi apenas um sinal do governo, numa fase inicial da legislatura com o objetivo de ir mais longe no futuro, ou que esta ligeira redução foi apenas para inserir na promessa «Palavra dada, palavra honrada»?
JPC – Face à situação económica que o país atravessa foi feito o que era possível nesta matéria, sendo espectável que à medida que a economia o permita se possa ir mais longe na redução dos preços das portagens, até por termos todos consciência que este custo de contexto é dos que mais pesa na competitividade das empresas do interior.

Leia a restante entrevista na edição impressa

- 29 Nov, 2016
- Ricardo Tavares