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Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VI
Nº: 303

A aposta no Interior para além das palavras! Voltar

Ao longo das últimas décadas temos assistido a um conjunto de medidas e programas de revitalização do interior, no entanto o desconhecimento das estruturas do interior e das necessidades das suas populações tem provocado uma entropia entre a acção política e a concretização prática das medidas.

A aposta em políticas demográficas sustentáveis permite em simultâneo atrair pessoas, garantindo um determinado nível de qualidade de vida (as vantagens da vida no interior face à problemática da vida nos grandes centros urbanos), mas também fomentar a necessidade de criar uma rede de empregabilidade e oferta de serviços, que apenas são disponibilizados mediante o crescimento populacional do interior.

Uma das principais barreiras à concretização destas medidas reside no estigma generalizado daquilo que é viver no interior. A perspectiva de uma comunidade isolada, sem alguns dos serviços essenciais, nomeadamente no que diz respeito ao ensino e à cultura, continua a alimentar algumas das barreiras à coesão social pretendida. A importância da existência de um equilíbrio demográfico reflecte-se numa melhor distribuição de recursos, quer humanos, quer materiais: instituições de ensino, de saúde, meios de transporte, entre outros. Sobre este último, é de realçar a importância que não lhe está a ser atribuída, quer na falta de criação de novas infra estruturas, quer na modernização das existentes. De facto, não pode a alternativa rodoviária para o interior acarretar mais custos para o utilizador do que uma viagem de avião para algumas das capitais europeias.

Se ao nível da oferta educativa no ensino superior se assiste a algumas melhorias, com os níveis de captação de alunos para instituições como a Universidade da Beira Interior e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, não deixa de ser preocupante a falta de políticas que promovam a deslocação de estudantes para estas regiões, seja através da redução ou pelo menos estagnação do valor das propinas, seja através de uma melhoria assinalável na qualidade das residências estudantis.

Uma política sustentável de aproximação do tipo e número de serviços entre o litoral e o interior influencia as questões de mobilidade, sendo que a existência destes serviços funcionam igualmente como um “travão” à desertificação do interior. Estamos perante um processo circular, de tipo “bola de neve”, apostar no desenvolvimento do interior para captar mais e melhor investimento, criando oportunidades para evitar a desertificação.
A política feita com “régua e esquadro”, ao sabor do centralismo da capital tem colocado em causa as potencialidades do interior. Nos últimos anos com o encerramento de centros de saúde, encarecimento das vias rodoviárias, abandono da rede ferroviária, encerramento dos tribunais, assistimos a uma condenação e morte lenta do interior. A gota de água foi assinada com a extinção das freguesias, baluarte da autonomia das terras e sinal de proximidade entre eleitos e eleitores. Urge voltar a aproximar os cidadãos das suas origens, apresentando o interior como região de oportunidades. Para tal é necessário que as políticas sejam feitas de e para as pessoas. O futuro assim o exige.

Beatriz Russo, discente do 2º ano de Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais
Universidade da Beira Interior

- 29 Nov, 2016
- Beatriz Russo