Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VII
Nº: 385

Do Interior … Com Sucesso Voltar

João Lino nasceu em Ourém, é amante da modalidade de futsal, como atleta jogou a modalidade durante oito anos na Juventude Ouriense e trocou o campo pelas redes da baliza também na mesma formação, passou pela equipa universitária da UBI, pelo Fundão, Sporting da Covilhã, Fátima, Burinhosa, Cercal e Al Ahli (EAU), e atualmente encontra-se ao serviço do Al Dhafra, e ao mesmo tempo, na Seleção Nacional dos Emirados Árabes Unidos.

Licenciado em Ciências do Desporto na Universidade da Beira Interior, João é um exemplo de que na região também existem oportunidades para uma boa carreira profissional. Ao jornal fórum Covilhã fala sobre o seu percurso na UBI, descrevendo-o como “um percurso bom, com grandes aprendizagens não apenas para o nível profissional, mas também para o pessoal”. Entrou na cidade da Covilhã em segunda opção, procurava algo mais próximo da sua área de residência, mas que rápido se tornou na sua primeira opção. “Veio a relevar-se a melhor opção para mim, especialmente porque a UBI para quem gosta de evoluir no futsal, possui de excelentes professores e oportunidades”, refere.

Na sua passagem pelas equipas do Interior de Portugal, como a UBI, o Sporting da Covilhã e o Fundão, o treinador de guarda-redes agradece toda a experiência que viveu durante o tempo que por lá passou, podendo assim aplicar todos os conteúdos que ia aprendendo no curso. “Agradeço a todos os treinadores e professores com quem trabalhei nessa fase, como o treinador Arménio Coelho, o professor Bruno Travassos e o treinador João Paulo Santos, pelas oportunidades, pela confiança no meu trabalho e pelas palavras de incentivo, ajudando-me muito a aprender e a querer mais todos os dias”, afirma.

Após se ter licenciado na UBI e tirado mestrado na Universidade de Coimbra, João arrumou malas e bagagens e voou até terras árabes, com o propósito de integrar na equipa do Al Ahli como treinador de guarda-redes. “Mudar de país, de cultura, de língua, de cidade, de contexto, foi algo que inicialmente foi difícil, mas que me faz hoje em dia ter uma noção diferente do mundo”, diz.

A sua passagem pelo clube teve a duração de um ano, onde venceram, o título de campeões nacionais, sendo a primeira vez na história do Al Ahli. Mas o sucesso do treinador de guarda-redes que teve a sua passagem pela Universidade da Beira Interior não se fica apenas por aqui, depois de ter estado no clube recebeu a proposta de ingressar no Al Dhafra, sendo que são bicampeões nacionais e têm participado na Liga dos Campeões da Ásia nos últimos dois anos. “Encontrei um clube organizado, com um grupo de trabalho experiente e com muita qualidade individual”, salienta.

Enquanto que em Portugal a modalidade de futsal já está presente há vários anos, com a existência de um projeto bem estruturado, com passos seguros para o desenvolvimento do mesmo, onde os bons resultados estão à vista, nos Emirados Estados Unidos a realidade é outra, o futsal ainda é algo que está em fase de crescimento. “Apenas têm liga de futsal há nove anos”, sendo que João Lino explica ainda o grande crescimento que sente por parte da modalidade. “Têm-se implementado medidas nos quadros competitivos das provas, contratando treinadores estrangeiros e investindo nas infraestruturas e condições de treino, mas a meu ver precisa de investir mais na formação dos treinadores locais e em equipas jovens dentro dos clubes”.

Perguntámos ao treinador de guarda-redes qual a sua opinião, nomeadamente à fixação dos jovens no Interior do país, sendo que o mesmo não conseguiu fixar-se na região onde realizou a sua formação académica, acabando por aceitar imediatamente projetos em outras regiões. “Penso que o problema não passa pelas regiões, passa sim, pela mentalidade com que muitas pessoas e o Estado português olham para as atividades desportivas, não lhes dando o devido valor, refletindo-se isso, em muitos trabalhos precários. O desporto bem utilizado, é uma ferramenta poderosa na transmissão de valores importantíssimos para qualquer sociedade evoluída”, frisa. A escolha que levou João a sair do seu país de origem foi nomeadamente à falta de oportunidades que existem em Portugal para os profissionais de futsal. “Existem poucos clubes que nos garantem esse estatuto, por isso, quando recebi a proposta para assinar pelo Al Ahli, foi uma escolha fácil, pois nos EAU sou treinador profissional e isso é fundamental para me fazer evoluir para outros patamares, preparando-me melhor nas etapas da minha carreira”, sustenta. Já os seus planos para o futuro passam por “continuar a trabalhar aprendendo todos os dias”, com o objetivo de “um dia chegar aos quadros de um grande clube ou da Seleção Nacional”.

Fica ainda a mensagem e agradecimento do ex-praticante de futsal que agora rege treinos de quem guarda as redes da baliza, por parte da UBI e à cidade da Covilhã, que o ajudaram a crescer tanto a nível profissional como pessoal. “Para quem gosta de desporto, a UBI possui excelentes infraestruturas, um bom corpo docente e conteúdos pedagógicos, para ajudar a serem profissionais de excelência”.

João Lino teve de sair do seu país de origem para procurar maior sucesso na sua carreira profissional, mas deixou a sua passagem pela UBI, mostrando que no Interior do país também se conseguem formar grandes profissionais capazes de levarem na sua bagagem os ensinamentos de uma Universidade de prestígio.

 

 

- 27 Nov, 2018
- Rita Mateus
}