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Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VII
Nº: 352

O ESTADO DO ESTADO DA EDUCAÇÃO … Voltar

Não tem estado, ou melhor tem estado num estado de vacuidade. Somos dos países europeus e da OCDE que apresenta uma das percentagens mais elevadas de escolas, em média, dirigidas por professores que já não dão uma aula há mais de 15 anos. Já alguém parou para pensar neste dado?  Na verdade, o estado de flexibilização a que se segue o estado de municipalização anunciado, este, antecipando pelos resultados no pré-escolar e no 1.º ciclo, inibe qualquer profissional de aprendizagem de pensar. De facto é melhor não parar para pensar para conseguir fazer alguma coisa pelas crianças e pelos jovens. A municipalização das estradas acrescentou valor a estas vias? Não. Falo em abstrato. Não sou radical ao ponto de afirmar que a municipalização da Educação não é aconselhável em todo o caso. Depende do “ranking” de importância que cada município atribui à Educação ou melhor, depende do valor acrescentado que cada município traz à Educação.

Mas vejamos o estado da flexibilização, pois o da municipalização já se conhece a base. Comecemos por perguntar-nos, afinal o que é a flexibilização curricular? Agora sim, se não for muito incómodo, paremos para pensar antes que ouçamos em uníssono vezes sem fim, “É co…la…bo…ra…ti…vi…da…de, há lá melhor coisa do e no mundo do que isto, nem sabem o que perderam e o que perdem os que pararam para pensar e não seguiram este caminho logo logo na sua origem”, que para muitos é como a origem do universo, um enigma, embora haja muitas teorias.

É do domínio público que a escola de hoje satéliza uma infinidade de problemas, para os quais nunca foi perdida nem achada, cuja resolução exige, é verdade, interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e transdisciplinaridade. Com efeito, não existe inter, multi e transdisciplinaridade sem aprofundamento da disciplinaridade. O todo, o holístico, não é conhecível sem conhecer as partes, entenda-se por partes, os conteúdos de cada uma das disciplinas. Não existe a disciplina “Ambiente”. Podemos conceber, sim, “Ambiente” como área disciplinar que envolve as disciplinas de Biologia, Física, Química, Matemática, …. O cérebro humano não tem a zona do todo, antes é composto por partes ligadas entre si, isto é das neurociências. Certo é que, esta nova idade, ou nova era, não se compadece com acefalia ou comportamentos que desprezem a capacidade de memorização, de concentração, o compromisso, a dedicação, a sequenciação, pois a parte executiva e valorativa, do sentido do todo, forma-se no cérebro muito mais tarde, entre os 25 e 30 anos de idade.

A nova idade é dos que estudam e se relacionam a sério com o limite da História, da Geografia, das Línguas, da Filosofia, da Física, da Matemática, da Química, das Ciências da Vida, das Artes, do Desporto, da Tecnologia e brincam e socializam face a face, construindo assim um sentido de um todo.

O novo mundo será dos que nadam na realidade real, virtual e, também, desvirtual. Estes serão os novos senhores feudais com o poder de flexibilizar os restantes em proveito próprio. A propósito, alguém já se perguntou do porquê das Universidades não optarem ou não conseguirem fazer a flexibilidade curricular. Esqueceram-se? Não, no ensino superior a flexibilidade apresenta-se como apêndice opcional. Se assim não fosse, o perfil à saída seria: Alguém que ouviu falar de muita coisa mas ninguém se atreve a certificá-lo como habilitado a exercer o que quer que seja. Bom, mas alguém dirá, pois por isso é que a flexibilização curricular tem de começar de pequenino, tal como diz o ditado: De pequenino se torce pepino. Portanto, Flexibilizar é preciso! Ou, flexibilizar é preciso?

Rogério Monteiro  

 

- 27 Nov, 2018