Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VII
Nº: 387

Projeto Associativo: O Teatro Musical que enche a cidade da Covilhã Voltar

CULTURA. Construídos com paixão e dedicação, com o objetivo de implementar o gosto pela arte musical na população da Beira Interior, os musicais do Oriental de São Martinho preenchem esta semana a rubrica mensal «Projeto Associativo» com música e teatralidade

Um projeto que surgiu de um gosto pessoal e que conta com edições desde 2009, os musicais do Oriental de São Martinho, enchem todos os anos a cidade da Covilhã de música e espetáculo.

Francisco Mota, presidente da coletividade covilhanense e também coordenador dos musicais, esteve à conversa com o Jornal Fórum Covilhã. Os musicais do Oriental contam já com dez anos de existência, um projeto que segundo o responsável nos conta surgiram aquando o término das marchas populares em 2006, “nós nas associações acabamos por fazer um bocadinho daquilo que nós mais gostamos e como as marchas tinham acabado nós sentimos a necessidade de fazer alguma coisa diferente, de modo a que surgiram os musicais”. Um projeto que talvez no início não se enquadrasse muito com a cidade da Covilhã, mas que imediatamente nas suas primeiras edições teve uma grande adesão por parte da população covilhanense. “Em 2009 iniciámos o nosso primeiro musical, o «Contrastes», foi inédito, mas tivemos um enorme sucesso”, referiu ainda Francisco Mota. «Contrates», o primeiro musical da coletividade foi realizado todo em playback, “não sabíamos muito bem como seria, como as pessoas iriam reagir e como seria fazer um musical”.

Após um grande sucesso do primeiro espetáculo os musicais passam então a ser feitos com música ao vivo, estreando em 2010 o «Cantiga da Rua», um espetáculo realizado todo em português, com músicas populares e o cinema antigo português. Já no quarto ano de existência de musicais a coletividade preparou-se para entrar no mundo da «Brodway», em que Francisco Mota mostrou ainda todo o entusiasmo em relação a este espetáculo. “Foi realmente um espetáculo brutal em todos os aspetos, somos todos amadores e portanto, nunca vi e ainda hoje não vejo um espetáculo amador com aquela projeção e grandiosidade”. Tal sucesso aconteceu que o musical dirigido à temática da «Brodway» teve a sua estreia no final do ano de 2012 esgotando todos os bilhetes do Teatro Municipal, “teve tal sucesso que fizemos depois mais cinco espetáculos que também estiveram completamente esgotados”. Numa onde de sucessos o Oriental manteve-se com o espetáculo de lotação esgotada por mais um ano, mexendo apenas em algumas partes. Em 2014 é realizado o formato da «Revista Portuguesa». “Tivemos muitos pedidos por parte das pessoas para fazermos uma revista, e então escrevi uma revista em dois tons que teve também muito sucesso e foi um projeto interessante porque não é fácil fazer uma revista portuguesa”, afirma.

Para o futuro Francisco Mota, sempre acompanhado também por Tina Barata na realização e coordenação de todos os musicais, a dupla decidiu criar uma nova ideia para os espetáculos, dirigindo-se ao público infantojuvenil. “Gostamos de experimentar tudo e não queremos nunca cingirmos só a uma coisa dentro do teatro musical, e queremos sempre experimentar novos formatos e chegar a vários públicos”, referiu ainda o presidente do clube orientalista. Em 2017 foi estreado o musical «Um Sonho Mágico» dirigido aos mais pequenos e realizado apenas com músicas da Disney, em que os cenários eram realizados em multimédia, um espetáculo que contou com casa cheia em todas as suas apresentações. Atualmente a coletividade encontra-se já a preparar o musical para este ano que irá estrear em outubro e que segundo Francisco Mota, “vai ter muita música portuguesa de várias décadas, vai agradar aos mais novos e aos mais velhos, vai ser uma história original que vai contar a história de uma jovem covilhanense que quer ser atriz de teatro musical”.

E como pensar num só espetáculo não chega, o responsável confessou ainda que o Oriental de São Martinho está já a pensar no espetáculo seguinte para o ano de 2020, “há sempre alguma coisa nova, se disser que estamos a ensaiar um espetáculo e já estamos a pensar noutro, é mesmo verdade, nós trabalhamos muito assim”, adiantando um pouco do que será o espetáculo do próximo ano. “Irá ser um espetáculo ao ar livre, o que não é fácil, mas vamos utilizar muitos cenários naturais, acho que vai ser uma coisa nova, uma coisa diferente e vai ser marcante”.

Os musicais que acontecem há dez anos contam com a participação variada de crianças desde os seis e sete anos, até a adultos com 50 anos, dependendo do formato do projeto. Espetáculos representados por amadores mas que já fizeram com que muitos jovens cultivassem o gosto pela musicalidade e pelo teatro de modo a se profissionalizarem na área, “é um projeto que já deu frutos, temos pessoas que saíram daqui e que seguiram a parte do teatro e que hoje já são licenciadas na área, que são atores e atrizes profissionais, e temos outros na área do canto também”, referiu ainda Francisco Mota.

Por de trás de toda a teatralidade e musicalidade existe uma equipa que cuida de toda a logística do espetáculo, desde fatos a cenários, “nós contratamos costureiras que trabalham nos figurinos, contratamos também pessoas que saibam trabalhar certos materiais para fazerem os cenários e depois temos também a parte da multimédia”. 

A ideia dos musicais surgiu da paixão de Francisco Mota pelo teatro musical, mas que o mesmo partilha da opinião de que este género de projetos implementados pelas associações da cidade têm uma grande importância, “as coletividades têm um papel fundamental no desenvolvimento das atividades culturais e desportivas”. Dar asas aos sonhos de quem procura os musicais do Oriental e instruir os jovens para uma parte cultural faz parte do trabalho que o diretor tem vindo a desempenhar na coletividade. “Somos os que conseguem captar as vontades, os desejos, e é uma maneira de fazer com que muitos jovens vejam se realmente aquilo que estão a praticar aqui, é aquilo que querem seguir mais tarde”, diz.

Os musicais do Oriental variam entre 30 a 60 participantes que cantam, dançam e representam, e que prometam continuar a alegrar e a encher as salas de espetáculo da cidade da Covilhã, mostrando que no Interior do país também existem grandes talentos, “temos muita confiança no elenco e nas pessoas que temos e no trabalho que apresentamos”, concluiu ainda Francisco Mota.

- 09 Abr, 2019
- Rita Mateus