Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: VII
Nº: 376

Castelo Branco: ONGD não reconhecida recebeu cerca de 350 mil euros de fundos públicos Voltar

L’ATITUDES. Apesar de não se reconhecer a atividade da instituição, esta beneficiou de vários fundos públicos atribuídos pela Câmara Municipal de Castelo Branco e pelo Programa de Desenvolvimento Rural

 

Autarcas de Castelo Branco, incluindo o antigo e atual presidente da Câmara, criaram uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), em 2010, que nunca foi reconhecida oficialmente, mas que recebeu cerca de 350 mil euros de fundos públicos para requalificar a sede, avançou o jornal Público, na semana passada.

Apelidada de L’Atitudes – Associação para a Dinamização de Projetos e Redes Globais de Cooperação e Desenvolvimento, a ONGD conta com antigos autarcas socialistas como sócios e não tem atividade conhecida. Viu aprovada uma proposta de atribuição de subsídio pela autarquia de Castelo Branco para obras de requalificação da sede, numa altura em que Joaquim Morão era presidente da Câmara e também da associação. A associação recebeu assim, em 2014, 150 mil euros da autarquia.

O pedido foi feito pelo vice-presidente da L’Atitudes, António Realinho, que era também vice-presidente e diretor executivo da Adraces, uma associação de desenvolvimento local que é a única entidade coletiva sócia da ONGD. Realinho diz que a L’Atitudes é “uma instituição que, em conjugação com os meios humanos e financeiros que a Adraces disponibilizará muito contribuirá para a melhoria das condições de vida das populações”.

O município de Castelo Branco atribuiu à L’Atitudes um edifício gratuitamente para utilizar como sede por 25 anos a que poderão seguir-se períodos renováveis de dez anos, a ser utilizado também como sede pela Adraces. O edifício em mau estado carecia de obras, que deveriam ser suportadas pela organização, mas para as quais a Câmara concedeu depois os 150 mil euros. O custo total das obras foi de mais de 365 mil euros, dos quais 200 mil foram pagos pelo Proder (Programa de Desenvolvimento Rural). O Proder era gerido na região, através de uma delegação de competências, pela Adraces.

As ONGD deveriam ser reconhecidas pelo Instituto Camões, mas, segundo a entidade, esta associação não está registada e “nunca solicitou a obtenção deste estatuto jurídico”.

 

- 09 Abr, 2019
- Ricardo Tavares
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