Opinião: Diogo M. Riscado | Poema
Por Jornal Fórum
Publicado em 05/11/2026 12:03
Opinião

Eu sou o que passeia a vida,

E aguardo fogaz lamento

Dos chorões eternos da morte,

Enfermos e sem sorte, vituperam gritos violentos,

Ignomínias de arrependimento,

Histerismos surdos ao passar.

 

Sou eu mesmo! Quedem-se as hesitações!

Levo o término ao que foge dele, ao que o quer

E ao que o negligencia.

 

Achais que o gosto de ser?

Guiar almas como quem

Circula de braços dados com o nada,

Inferir as vivências de cada um, transformá-las

Em dúbia eternidade escura...

 

Sou eu a própria morte, o corvo que ronda

A cama velha e lúgubre.

Sou eu quem caça a putrefação,

E que dela alimenta a sombria orquestra onírica (ou disfórica, a perspetiva varia).

Sou eu a máscara com bico, e quem a veste, e quem a faz.

Porque ser morte

É ser tanto quanto a vida,

E balançar com ela como dois

Infantes num parque, ora acima, ora abaixo.

Sou como bom vinho. Quando cesso, fico

No paladar de quem o sentiu, e adormeço no vazio.

Gostou deste conteúdo?
Ver parcial
Sim
Não
Voltar

Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Chat Online