No dia 31 de janeiro, às 21,30 horas, Quimera integra a programação do Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, com um espetáculo de dança contemporânea que cruza intimidade e reflexão coletiva, dialogando diretamente com as inquietações do presente.
Coreografada por Bruno Duarte, a obra transporta o público para o universo interior de Ari, onde cada preocupação ganha forma, peso e dimensão. São pensamentos invisíveis para o exterior, mas profundamente opressivos para quem os carrega, acumulando-se ao longo do tempo como um enigma fragmentado que se instala sobre a cabeça. É através do movimento e da presença dos intérpretes que Quimera traduz estas tensões e fragilidades, construindo uma experiência coreográfica que revela o corpo como espaço de memória e emoção.
Inspirado em conversas reais com crianças e jovens, o espetáculo apresenta uma luta silenciosa, travada por dentro, onde cada fragmento guarda perguntas sobre o futuro, a justiça e o próprio ato de crescer. Quimera afirma-se como um gesto de partilha e resistência, lembrando que enfrentar inquietações e desmontar medos é um processo coletivo, feito de escuta e proximidade.
A criação surge no contexto do trabalho da Companhia de Dança de Almada (Ca.Da), uma estrutura que se afirma há mais de três décadas como referência da dança contemporânea em Portugal. Fundada por Maria Franco em 1990, a Ca.Da desenvolve a sua atividade entre a criação artística e a formação, sustentada por profissionais especializados com vasta experiência na produção cultural, no ensino da dança e na formação de públicos. Ao longo do seu percurso, produziu mais de uma centena de obras de coreógrafos nacionais e internacionais, apresentadas em Portugal e em diversos países da Europa, África, América e Ásia. Paralelamente, organiza desde 1992 a Quinzena de Dança de Almada e mantém uma forte aposta pedagógica através da Ca.Da Escola, com ensino artístico especializado reconhecido pelo Ministério da Educação.