António Fidalgo dedica “Última Lição” à vocação de ensinar e à UBI
Por Jornal Fórum
Publicado em 08/05/2026 12:36
Sociedade

“Vamos começar a aula. As pessoas que estão lá atrás têm de vir para a frente. Bom… se não vêm, eu espero”.

Esta é uma das muitas frases que celebrizaram o Professor António Fidalgo ao longo dos mais de 30 anos em que lecionou na Universidade da Beira Interior (UBI). E foi com ela que iniciou a sua “Última Lição”, precisamente na sala onde tudo começou, em 1991.

A plateia que encheu o Anfiteatro 2.12 reagiu ao humor do apelo com risos nascidos das memórias da experiência com um dos docentes mais marcantes das Ciências da Comunicação, entre outras áreas.

A Lição, intitulada “Universidade como vocação”, decorreu no dia 6 de maio. Família, amigos, alunos, muitos ex-alunos, membros da equipa reitoral, antigos reitores, representantes da esfera política e muitos outros preencheram o espaço em homenagem a uma figura que, além de professor, contribuiu para o crescimento da Universidade, inclusive como reitor da UBI, entre 2013 e 2021. O trabalho de vários anos em prol da área deu frutos com as criações de cursos, de uma unidade de investigação — o LabCom —, de um jornal online que conta com 26 anos de existência e, no topo, a criação da Faculdade de Artes e Letras, em 2000, da qual foi presidente durante oito anos.

Mas, voltando ao professor, a vinda para a UBI permitiu a António Fidalgo aplicar a sua visão do papel do docente e da academia.

“A Universidade é, antes de tudo, formação. Ensino e formação. A missão primeira da Universidade é a formação humana, cultural, científica e técnica. Por esta ordem”, sublinhou.

A ética do docente, por seu turno, implica dominar o campo e estar disponível para aprender, não vender “resultados fracos” como fortes e aplicar critérios claros e uma avaliação justa.

Outra memória viva dos seus ex-alunos prende-se com o facto de António Fidalgo os tratar pelo nome próprio.

A relação humana e personalizada é a explicação: “Sempre procurei tratar os alunos pelo nome próprio. Foi sempre uma mania que eu tive, de estar sempre a perguntar-lhes o nome, mesmo em turmas grandes”. Ao invés, também dava importância a que os alunos soubessem o seu nome. “Eles não eram o número da pauta, nem eu apenas o docente desta ou daquela cadeira. É uma relação pessoal que exige personalização de quem ensina e de quem aprende”. “Faz agora um ano que ajudo os frades franciscanos a erguer o Instituto de Estudos Superiores de Comura. Em outubro próximo começarão os cursos de Enfermagem, Filosofia e Psicologia. Estes dois últimos serão ensinados pela primeira vez naquela terra”, contou, revelando que será diretor de um desses cursos.

“Sofre-se a vocação, dizia eu no início. Pois bem, continuo a sofrê-la, sem dor, mas com muita paixão”, concluiu.

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