O Teatro Municipal da Covilhã (TMC~) apresenta no mês de julho um conjunto de espetáculos de várias disciplinas artísticas, com destaque para as últimas duas noites do MIRADOR, novo eixo de programação com concertos de diferentes géneros musicais no terraço.
No dia 1 de julho (quarta-feira), às 21h30, o TMC~ acolhe a estreia da peça “TCHARAAAM! (um espetáculo para toda a gente e para ninguém)”, criada e dirigida por Miguel Pereira, com cocriação da ASTA Teatro, Ballet Contemporâneo do Norte e O Rumo do Fumo.
No dia 9 de julho (quinta-feira), às 21h30, o MIRADOR no terraço do TMC~ vai contar com a presença rara e singular de Lula Pena: poeta-cantora, mulher misteriosa e uma das vozes mais marcantes da música portuguesa. Lançou no início deste ano o novo disco "Archivo Pittoresco", que se seguiu a "Troubadour" (2010), que por sua vez se tinha seguido ao álbum de estreia "Phados" (1998). Ao longo da carreira tornou-se claro que Lula é cada vez mais um tesouro partilhado de todos os lusófonos de coração, fruto da sua fascinante abordagem à Canção popular global, radicada numa expressão artística sem igual a tocar guitarra e a cantar, que une tantas tradições de música, som e poesia.
A 11 de julho (sábado), no âmbito de um dos novos eixos da programação, o VERTIGO – Territórios Sonoros Expandidos, ciclo dedicado à experimentação e à escuta contemporânea, o coletivo Obsoleto apresenta no TMC~ o álbum “fábric”, no formato de um espetáculo multidisciplinar intitulado “Trabalhar Rápido é Trabalhar Pior”. Em 2022, o Coletivo Obsoleto fez uma residência artística no New Hand Lab (antiga fábrica de tecidos António Estrela), na Covilhã. As memórias, os materiais, os sons e os gestos aí recolhidos deram origem a três objetos artísticos: o álbum “fábric”, o filme “trabalhar rápido é trabalhar pior”, e um espetáculo que conjuga ambos e será agora apresentado no TMC~. Obsoleto é um coletivo artístico baseado no Porto no estúdio iodo. Criam juntos, desde 2016, apresentando trabalhos em diferentes formas como o teatro, o cinema e a música. Em 2025 estrearam o espetáculo "Era da Surdez" no THSC, apresentaram a performance "b-a-bás" no Serralves em Festa e no Ciclo de Música Exploratória Portuguesa e fizeram vários concertos de música improvisada.
No dia 16 de julho (quinta-feira), às 21h30, a primeira edição do MIRADOR no terraço do TMC~ encerra com chave de ouro com o concerto de Memória de Peixe, seguido do dj set de Sound of Silva. em mais uma sessão do MIRADOR. Memória de Peixe é um projeto musical criado por Miguel Nicolau em 2011. O álbum de estreia foi lançado em 2012, pela Lovers & Lollypops, tendo sido considerado um dos melhores álbuns portugueses do ano e nomeado para melhor álbum pela Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 2016, lançaram o seu segundo álbum, "Himiko Cloud", tendo excelentes reações na imprensa internacional, representando Portugal na comitiva do Eurosonic de 2017 com grande destaque nos media europeus, tendo sido elogiados na BBC6 por Hew Stephens, The Line of The Best Fit (Reino Unido), Les Inrockuptibles (França) e Rolling Stone (Brasil). Pisaram já palcos como Primavera Sound, Paredes de Coura, Milhões de Festa, Liverpool Sound City (Inglaterra), Coquetel Molotov (Brasil), Nilüfer Müzik Festivali (Turquia), Ancienne Belgique (Bélgica), L’Aeuroneuf (França) ou Sala Apolo (Barcelona).
Com uma nova formação constituída por Miguel Nicolau (guitarra), Pedro Melo Alves (bateria e eletrónica) e Filipe Louro (baixo), os Memória de Peixe regressaram em março de 2025 com o álbum “III”, o mais recente e brilhante capítulo da sua discografia. Partindo da premissa original que funde rock, jazz e espaço para o improviso, este power trio apura a sua sensibilidade pop nos 11 temas do álbum e aposta numa forte dimensão visual e conceptual, num encontro entre sons orgânicos e eletrónicos, e imagens e narrativas que convivem em forma de canção.
Após o concerto, segue-se o dj set de Sound of Silva. João Vaz Silva já assumiu vários nomes como DJ ao longo dos anos. O mais recente coincide com o nome do programa semanal que realiza na Futura – Rádio de Autor: SOUND OF SILVA. Aqui cabem todas as suas referências musicais que tanto chegam do fundo do baú como da tabela de hits indie dos dias de hoje.
No dia 17 de julho (sexta-feira), também no âmbito do VERTIGO – Territórios Sonoros Expandidos, o TMC~ apresenta “do Calleya ao TMC~ | uma paisagem sonora histórica”, de Luís Antero. Esta proposta é composta por 3 partes distintas, mas complementares: um passeio sonoro (18h00), um concerto e uma instalação sonora pública (21h30). A ideia central para este corpo artístico é o próprio TMC~ e a sua relação com a cidade e o seu tecido social. Para a sua produção, num formato de residência artística, procurar-se-á gravar testemunhos históricos sobre o TMC~ e a malha urbana da cidade onde o mesmo está inserido. Como era? O que se escutava? Qual a relação da cidade com a sua própria identidade sonora? Ao mesmo tempo, grava-se o tempo presente a partir das paisagens sonoras atuais, numa relação entre a memória primeva e a relação diária do hoje com o TMC~.
Luís Antero é paisagista, documentarista e arquivista sonoro. Desenvolve desde 2008 um trabalho de recolha e documentação do património acústico de várias zonas do território nacional, com base em gravações sonoras de campo. É Director Artístico do Arquivo Sonoro do Centro Histórico de Coimbra, radialista, autor da crónica “Uma Janela para o Mundo”, na TSF, realizador e formador. Licenciado em Estudos Artísticos e pós-graduado em Património Cultural Tradicional e Popular Português.
Ainda no mês de julho, o TMC~ promove uma sessão de cinema, no dia 7 às 21h30. Em parceria com o curso de Cinema da UBI, é exibido o filme “Alcarràs”, de Carla Simón.