Os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI) saíram à rua para a tradicional Latada, um cortejo de caloiros e carros alegóricos que marca o final do período de praxe. Sob um céu limpo e bastante sol, os alunos aproveitaram o evento festivo para, cumprindo a tradição de expressar o espírito académico, lançarem fortes críticas à atual conjuntura socioeconómica. Entre os alvos principais dos protestos estudantis estiveram a falta de financiamento governamental na saúde e na educação, o aumento dos preços dos combustíveis e a falta de investimento interno da UBI noutros cursos para além da Medicina.
Segundo o regulamento, o cortejo exige que os cursos expressem o seu amor ao curso/Academia, ao mesmo tempo que tecem críticas e apresentam conteúdos criativos e discursos relevantes sobre temas atuais. O grande vencedor da edição letiva de 2026/27 foi o curso de Ciências Biomédicas. Os caloiros e trajados do curso conquistaram o primeiro lugar com uma crítica incisiva à falta de financiamento do Estado na investigação e na ciência, simbolizada criativamente através de um pássaro, a personagem "Tweety" da Warner Bros. / Looney Tunes, preso numa gaiola.
O pódio da competição ficou completo com o grupo de Química Industrial, Matemática Aplicações e Física e Aplicações no segundo lugar, e com o curso de Ciências Farmacêuticas na terceira posição. Na tabela classificativa, o curso de Engenharia Informática ocupou o último lugar, na 27.ª posição. As prestações foram avaliadas por um júri constituído pelo Imperatorum (alta figura representativa da praxe), elementos das Tunas, e representações da Associação Académica (AAUBI) e da própria universidade, que pontuaram fatores como carros, conteúdo crítico do discurso, a animação e ruído produzido.
O percurso do desfile iniciou-se na Rotunda do Rato e passou pelo Polo I da UBI, terminando no Largo do Pelourinho, em frente à Igreja da Misericórdia, perto do Centro Cívico. Contrariando o ditado académico de "Latada molhada, latada abençoada", o desfile deste ano fez-se com muito calor.
A caloira Ema Rainho, estudante de Ciências da Comunicação, confirmou o cansaço e calor sentidos durante o trajeto, mas destacou o orgulho por terem chegado ao fim. Fazendo um balanço da integração, a jovem descreveu a praxe como "uma coisa muito intensa, mas ao mesmo tempo incrível", explicando que a experiência os levou a descobrir facetas e capacidades que desconheciam ter. Apesar das saudades por ver este período de praxe chegar ao fim, a caloira garantiu que todo "o esforço valeu a pena", culminando num momento de festa e de beber "uns copos" de celebração com os amigos.