As comemorações do 156.º aniversário da Elevação da Covilhã a Cidade, instituída a 20 de outubro de 1870 pelo rei D. Luís I, e dos 840 anos do Foral de D. Sancho I ficaram marcadas pelo hastear da bandeira e pela sessão solene relativa à comemoração. A cerimónia reuniu os representantes das forças políticas com assento na Assembleia Municipal, o presidente deste órgão deliberativo e o presidente da Câmara Municipal, num debate pautado pela evocação da memória coletiva e pelo confronto de visões sobre os desafios sociais, económicos e territoriais do município.
Pela bancada da CDU, Rita Reis Videira evocou a dureza histórica do trabalho operário e agrícola antes de 1974 para criticar a degradação, o encerramento e a privatização de serviços públicos na saúde, educação, correios e segurança social. A representante do PCP alertou para os baixos salários praticados no concelho, inferiores às médias nacional, do Fundão e de Castelo Branco, a falta de habitação pública e a desigualdade tarifária nos transportes das freguesias rurais, defendendo a gratuitidade do passe para maiores de 55 anos em 2027 e a revitalização industrial e agrícola.
Em representação do Chega, Amadeu Alberto destacou a transição da indústria tradicional para a afirmação da Universidade da Beira Interior (UBI), frisando que o desenvolvimento se mede por resultados concretos na fixação de jovens e no acesso à habitação. O deputado apelou à revitalização do comércio tradicional e as melhores acessibilidades entre a cidade e as freguesias e o rigor e transparência na gestão de recursos públicos, assumindo o papel de uma posição firme e construtiva na fiscalização do executivo.
Pelo CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes enalteceu o papel da iniciativa privada e dos trabalhadores na identidade covilhanense, centrando a sua intervenção na candidatura a capital portuguesa da cultura. Para evitar que o projeto se reduza a um logótipo apresentou quatro propostas: afirmar a Covilhã como o maior museu de arte urbana ao ar livre do mundo; criar um programa de fábricas abertas associado à marca de produção local “Made in Covilhã”; descentralizar a criação de novos públicos culturais pelas freguesias e implementar uma agenda cultural interativa de escala regional.
Em nome do Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP), Ana Branco sublinhou a evolução da antiga cidade fabril para um polo de ciência e apontou como prioridades a fixação de jovens, o emprego qualificado e a proximidade de serviços às freguesias mais distantes. Reconhecendo o trabalho autárquico na pavimentação de estradas e na entrega de 37 chaves de habitação social, apelou, contudo, à intervenção preventiva nas casas sociais ainda degradadas antes da chegada do inverno e na reparação de infraestruturas secundárias, destacando ainda o potencial turístico do rio Zêzere.
O deputado municipal do PSD, João Morgado, alertou para o risco de limitar a governação a ciclos eleitorais de quatro anos e desafiou o executivo a apresentar, até final de 2027 uma visão estratégica a 30 anos para a Covilhã de 2056. Abordando a saída de jovens e a necessidade de integrar novos residentes com direitos e deveres iguais propôs uma concentração alargada entre autarquia, universidade, empresas e IPSS, assente na inovação ligada à saúde e ao envelhecimento e no plano de habitação a custos controlados.
Pelo PS, João Cristóvão Silva recordou marcos históricos da resistência local, como a greve de 1941, para sublinhar a urgência do presente e criticar o esquecimento do Interior e do projeto de revitalização da Serra da Estrela no âmbito da discussão do Orçamento do Estado na Assembleia da República. O representante socialista frisou que o concelho nunca precisou da validação de Lisboa para construir o seu caminho, destacando a devolução do Teatro Municipal aos cidadãos, a Feira de Santiago, a subida à Torre na Volta a Portugal e o Festival 1993.
No decurso da sessão, o presidente da Câmara Municipal apresentou o balanço do primeiro ano de mandato, contabilizando mais de 17 milhões de euros em candidaturas submetidas, cerca de 20 empreitadas em curso, 2,5 milhões investidos em oito espaços de saúde, mais de 2 milhões na rede viária e a entrega de quase 40 habitações municipais. O autarca anunciou ainda a substituição de 20 mil luminárias, o avanço do novo PDM, a aposta na Capital Portuguesa da Cultura 2028 e na 3.ª fase da Zona Industrial do Tortosendo, exigindo ao Governo compromisso para concretizar o IC6, a barragem das Cortes e uma área de acolhimento empresarial regional.
A sessão solene encerrou com a intervenção do presidente da Assembleia Municipal, João Casteleiro, que exaltou a matriz humanista, solidária e livre da cidade, homenageando figuras históricas da região e o papel transformador da UBI, com destaque para a Faculdade de Ciências da Saúde. A par do apoio à candidatura a Capital Portuguesa da Cultura, deixou um forte alerta social sobre o envelhecimento demográfico e o drama dos milhares de idosos que vivem sozinhos, defendendo a proteção incondicional do Serviço Nacional de Saúde e o combate ao isolamento.