O lançamento do livro-disco “A Viola Beiroa e a Beira Baixa - Tradição e Identidade da Beira Baixa” foi um dos marcos da comemoração do 29.º aniversário do Centro Cultural Raiano, assinalado no dia 2 de fevereiro de 2026. Este livro-disco resultou de um trabalho de investigação do trio musical “Violas EnCantadas”, composto por José Barros, Ricardo Fonseca e Fernando Deghi. Esta obra, que conta com o prefácio e a análise técnica dos musicólogos Domingos Morais e Manuel Morais, consolida-se como uma ferramenta essencial para a salvaguarda deste instrumento único da Beira Baixa.
Na cerimónia de apresentação do livro-disco, a Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Elza Gonçalves, destacou o momento, considerando-o como o culminar de uma estratégia de décadas dedicada à identidade beirã.
No seu discurso, a líder do Município de Idanha-a-Nova sublinha que o foco nos instrumentos tradicionais é uma consequência natural do estatuto de Idanha na rede UNESCO. “Não é de todo estranho que os instrumentos tradicionais sejam o centro das atenções, sobretudo quando se desenvolvem estratégias de leitura renovada com o objetivo de garantir a sua continuidade entre nós”, afirmou a edil, reforçando que a Viola Beiroa é o expoente máximo desta missão.
Num apelo à união regional e à partilha, Elza Gonçalves sublinhou ainda que este património transcende fronteiras, ao afirmar que a “Viola Beiroa é nossa, mas não é só nossa. Têm de ser nossa e de todos aqueles que desejam um futuro para a cultura tradicional. Nos tempos atribulados em que vivemos, marcados pelo receio da perda de referências, esta é a responsabilidade e o desafio de todos nós”.
Na cerimónia, que decorreu numa das salas de exposições do Centro Cultural Raiano, Paulo Longo, chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, referiu-se ao livro-disco como sendo um espelho das imagens mais interessantes da Beira Baixa, uma vez que contém “as palavras, a música e um design de excelência”, e cujo lançamento coincide com uma data também ela marcante para a Cultura, referindo-se ao aniversário do Centro Cultural Raiano.
Por seu turno, José Barros classificou a obra literária como sendo um “marco de cultura da Beira Baixa”, chamando a atenção para a riqueza das 17 canções nele exibidas. O músico dirigiu-se à Presidente da Câmara para deixar um agradecimento pelo apoio prestado pelo Município de Idanha-a-Nova na edição do livro-disco.
Já Carla Raposeira, diretora do Departamento de Cultura da Fundação INATEL, referiu-se à obra como sendo “um livro-disco que é património visual e intergeracional” da Beira Baixa.
Foi também inaugurada a exposição “Requintinha”, com ilustração de Ivone Ralha, que se encontra patente, até ao final do mês de março, no Centro Cultural Raiano.