Opinião: Milene Nave | Fotografias
Por Jornal Fórum
Publicado em 07/05/2026 09:00
Opinião

As fotografias são luz, são papéis com significados bons ou maus contam uma história, atualmente as fotografias em papel perderam o seu simbolismo, pois estamos num Mundo onde o eterno existe cada vez menos e por isso não as valorizamos nesse formato, ao invés disso, vemos fotografias no digital.

As fotos no digital podemos vê-las em qualquer lugar, editá-las e até apagar objetos indesejados, mas quando as queremos “eliminar” basta clicar num botão, apenas, e parte daquela história é eliminada num clique e mais tarde não nos iremos recordar e não vamos ter nenhuma memória para relembrar o que aconteceu, mas o que será que motivou esta “eliminação”?

Um impulso, raiva, medo, no entanto, estes sentimentos fazem parte da imagem, mas no digital tudo é demasiado rápido e até um pouco inconsciente.

Neste formato eliminar a nossa história é simples e rápido, quase como se estivéssemos a criar uma nova pessoa ao eliminar-mos a nossa vida num botão.

As fotografias em papel são mais que uma mera impressão que fazemos de um momento, é uma certeza que queremos que o momento seja registado para o resto da vida, sem filtros, sem receios e medos da tal eliminação, se fez sentido queremos recordá-lo para sempre, sem eliminar nada, nem a pessoa, nem um objeto, mas principalmente sem eliminar a verdade por detrás da imagem.

A grande diferença entre ambos os formatos, é muito simples, no digital observamos uma realidade de rápida substituição, já no analógico observamos decisões conscientes que por mais triste que seja a imagem, faz parte da história e não é possível apagá-la por mais que a coloquemos numa gaveta escondida, está e estará lá para sempre, pois fez parte da nossa vida e conta aquilo que somos.

Eu pessoalmente adoro as fotografias analógicas e tento sempre ter em casa, seja um momento feliz, um menos feliz ou simplesmente uma paisagem que achei bonita, gosto de sentir o cheiro de papel pintado com uma imagem bonita que conta a minha história, talvez para mais tarde recordar ou para mostrar a alguém, mas desta forma tenho a certeza, absoluta que nunca vou perder aquilo que vivi e que naturalmente irei esquecer da minha memória, mas terei as imagens para lembrança.

Vou “perder” tempo, sentada em casa, a ver e a fazer um exercício mental do que conta a  fotografia, pois estou a reviver a minha própria história, sem filtros!

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