No dia 7 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) assinala o Dia Mundial da Saúde. Fá-lo desde 1950, com o objetivo de consciencializar sobre a importância que tem para os todos os povos a saúde e o bem-estar!
Refletindo sobre o extraordinário que é a vida humana, a maioria de nós desenvolveu-se sem condicionantes que pusessem em causa a possibilidade de alcançar a plenitude das nossas capacidades físicas e intelectuais. Mesmo assim, em algum momento acabamos por experimentar períodos de doença mais ou menos prolongado, nessas alturas tomamos consciência que a fronteira entre a saúde e a doença, é ténue!
Se, infelizmente para algumas doenças ainda não se conhece a cura, para outras, o seu controlo pode atenuar a expressão máxima da sua morbilidade. A escoliose é uma delas!
Esta malformação músculo-esquelética resulta de um crescimento assimétrico das peças que formam a nossa coluna vertebral – as vértebras, levando à sua rotação. As vértebras ao rodarem, formam uma curva anormal, que arrasta consigo todas as estruturas anatómicas que com ela se articulam: caixa torácica, cavidade abdominal e bacia.
É uma patologia que afeta cerca de 1% da população. Isto significa que durante o ano de 2026, em Portugal nascerão cerca de 800 crianças que terão escoliose durante o seu desenvolvimento. É uma doença "silenciosa" pois não causa dor nem limitações imediatas, o que faz com que em muitos casos a escoliose apenas seja descoberta quando a deformidade é muito acentuada.
A deteção precoce da escoliose depende da avaliação periódica pelo médico assistente, mas muitas vezes é descoberta por pais, avós, treinadores e professores. Esta condição agrava muito durante os períodos de crescimento rápido — entre o nascimento e os 5 anos, e novamente na adolescência —, nestas fases os cuidadores devem estar atentos ao desenvolvimento corporal da criança e do adolescente.
Os principais sinais que podem indicar escoliose são: Ombros desnivelados, com um mais alto que o outro; Omoplatas e caixa torácica, com um lado mais saliente do que o outro; Cintura, com diferenças nos espaços entre os braços e o corpo; Bacia, em que um dos lados parece mais elevado; Teste de Adams: ao pedir à criança que se incline para a frente como se fosse tocar nos pés, pode aparecer uma saliência (bossa) num dos lados das costas. Se isto acontecer, é importante consultar um profissional de saúde.
Se detetada cedo, a escoliose pode ser controlada e tratada através de métodos não cirúrgicos ou cirúrgicos, que respeitem o crescimento. Contudo, um diagnóstico tardio pode levar a curvas graves que comprometem a função respiratória e a qualidade de vida.
Campanhas como a "Josephine explica a escoliose" são muito úteis para dar a conhecer a pais, filhos e cuidadores, informação correta sobre a escoliose. Esta consciencialização permitirá com certeza que existam diagnósticos mais precoces, que se traduzirão em melhores resultados de tratamento, com menos risco associado.
Dr. Pedro Jordão, Ortopedista
