Opinião: Manuela Cerdeira | Ondas e Fronteiras vs Solidariedade e Provocação
Por Jornal Fórum
Publicado em 28/05/2026 09:00
Opinião

O Estado de Israel foi criado no ano de 1948, já a história do povo judeu, tem como todos bem sabem milhares de anos.

Os Judeus surgiram na antiga região de Israel a Palestina, aí desenvolveram a sua religião, a sua cultura e a sua identidade e ao longo dos séculos, sofreram invasões, expulsões e dispersões pelo mundo, um fenómeno conhecido como diáspora.

Durante muitos períodos da história Europeia e da história do Médio Oriente, os Judeus foram alvos de perseguições, de discriminações e de muita violência.

Foram expulsos de vários países, acusados injustamente de crises sociais e muitas vezes impedidos de exercer as suas profissões e até de possuir as suas próprias terras.

Na idade média, esse período histórico compreendido entre o século V e o século  XV, começaram a ocorrer os massacres e as perseguições religiosas e chegados ao século XX, o mundo assistia a esse trágico acontecimento e bem conhecido de todos, o famoso Holocausto, que foi levado a cabo pela Alemanha Nazi, que era liderada na altura pelo messiânico Adolf Hitler, onde seis milhões de judeus foram assassinados de forma bárbara, durante a Segunda Guerra Mundial, onde o objetivo era eliminar os judeus da Europa, nessa política que ficou conhecida como a “Solução Final”.

E quando eu digo bárbara, significa que este povo foi mal tratado, exterminado em câmeras de gás, onde eram colocados homens, mulheres e crianças completamente nus, e onde o gás era libertado até os mesmos sucumbirem depois, os cadáveres eram empilhados e depositados em fossas comuns, tudo isto praticado por humanos e que os documentos cinematográficos, são provas inquestionáveis  desse momento completamente bizarro.

Que outro povo sofreu semelhante humilhação?

A vida de Isarael e do seu povo, nunca foi fácil e talvez, ninguém saiba calçar os sapatos deste povo e entender o seu sofrimento, nem a sua rejeição continua pelo mundo, que muitas vezes é incompreensível e hoje, lidamos não só com essa rejeição, que continua ativa no Médio Oriente, mas também com a hipocrisia do resto do mundo.

Hoje esse mesmo mundo, que sentado no seu belo cadeirão de sala, onde a paz e essa distância da guerra, convida todo e qualquer ser humano a atirar pedras a um comportamento, que se for analisado corretamente e profundamente, chegaremos à conclusão de que tudo e todos, o que realmente querem, é continuar a provocar este Estado.

Falando agora no contexto politico e humanitário das flotilhas, que se tornaram símbolos de protesto, solidariedade e também de desafio diplomático, pois todos eles sabem à partida, que irão ser travados mesmo em águas internacionais, pois antes de serem capturados, todos eles são avisados com grande antecedência, através de megafones, para travarem o avanço, mas esse avanço nunca pára, porque no fundo, eles vão para provocar e nunca para ajudar.

E é bem claro, que nunca ninguém sabe o que qualquer flotilha pode  levar, podem sempre ser meios de transporte, tanto de armas desse atroz grupo do Hamas, como de alimentos e convenhamos, que uma flotilha daquele tamanho, não pode levar assim tantos alimentos ou seja, facilmente concluímos que estas flotilhas, são sem dúvida mais um desafio, do que qualquer outra coisa, logo o que estamos a assistir, é a um puro desafio e a uma pura hipocrisia, tanto dos ativistas, como de uma série de países, que se acham donos do bem fazer e do bem criticar.

Já bem dizia Jesus Cristo, como desafio à multidão para refletir sobre os seus próprios erros, nesse episódio tão conhecido, em que uma mulher ia ser apedrejada:

“Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

Que o comportamento do Ministro da Segurança Israelita não foi correto, lá isso é verdade, agora que existe muita hipocrisia nestes comportamentos desafiantes das flotilhas, lá isso é verdade também e já começa a tornar-se num comportamento doentio, quem sabe um dia, se o Hamas atacar Portugal ou Espanha, talvez eles consigam compreender a posição deste povo, que já está farto de ser massacrado pelo mundo inteiro.

Dir-me-ão que Gaza está a ser sacrificada por Israel, mas quem começou tudo não foi o Hamas, que a 7 de Outubro de 2023 matou indiscriminadamente jovens Israelitas, que assistiam a um concerto ao ar livre?

Será que estes médicos portugueses, aceitariam ir na flotilha se o Hamas tivesse assassinado os seus filhos, que estivessem num qualquer concerto a divertir-se?

O Hamas essa organização terrorista, que conseguiu instalar infraestruturas militares sob hospitais e zonas residenciais, utilizando os próprios civis como escudos humanos e convenhamos, numa guerra morrem culpados e inocentes e o objetivo é sempre o mesmo, o de conseguir libertar uma população do terrorismo.

De acrescentar ainda que em Teerão, que é a capital do Irão, um país que apoia grupos como o Hamas e o Hezbollah, existe uma Praça de nome Palestina, onde foi colocado um relógio digital, que está associado à ideia de colocar um fim ao Estado de Israel e a questão que se coloca, é a de saber como se sentiria um Espanhol ou um Português, se esse relógio fosse relativo ao seu país?

Estes médicos Portugueses, deveriam estar mais preocupados com o serviço que devem prestar no seu país, do que ir desafiar um mundo tão longínquo e que tem uma história bem sangrenta e não precisa de ser desafiado também por flotilhas, que no fundo não são de todo humanitárias, são sim desafiadoras.

Entre ondas e fronteiras, as flotilhas navegam sobretudo e acima de tudo, não por solidariedade, mas sim por pura e dura provocação política. 

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