A vida é sempre uma partilha: de bom grado com os que amamos e mais difícil com os que, mesmo mais perto de nós, não sejam tao fáceis de compreender e amar.
Nasci numa família grande e linda. Não é vaidade, mas alegria plena de gratidão a Deus e de uma enorme gratidão aos meu Pais que tiveram momentos duros, mas em que o amor nunca falhou.
Cada filho que nascia era mais um mimo para partilhar. O Paizinho dizia: “mais um filho mais uma fatia de pão” - para repartir, pois de certo!
A canção da ribeira era o meu tesouro de embalar e o perfume da roseira, o bálsamo de uma vida plena, cheia de flores, embora com os espinhos naturais de uma família numerosa.
Cada irmão que ia nascendo trazia o dom de encurtar os espaços mas também ampliar a magia dos dias… Era como se fosse sempre festa, no cheiro do pão com sabor a lenha e de risos com sabor a vontade de crescer.
Cada qual com os seus dons, abrilhantava a “sempre” festa, complicando docemente a pequenez de cada espaço onde a confusão se poderia misturar com um ralhete, uma espirradela ou uma oração do “Angelus” na hora calma do fim de tarde.
É assim que a vida vai prosseguindo, no desenrolar dos anos, em que cada mano se aventurou e se fez à vida, cada um com os seus sonhos, lutas, desaforos ou desconcertos.
Os manos mais velhos, Luís Pardal - a trabalhar na Penteadora e José Bernardino - já como Professor no Liceu, pagavam os estudos dos mais novos, a estudar na Covilhã, onde, a avozinha Ana fazia a comidinha e ia refrescar-se no jardim, no fim dos dias mais quentes. Aqui, já o mano Zé Bernardino tinha a “varinha mágica” a controlar o nosso estudo, quando a manita Otávia estudava e era apanhada com o livro ao contrário ou nós, as mais velhas, escondíamos as fotonovelas brasileiras debaixo dos livros para o que "desse e viesse”. O Fernando, muito cedo se aventurou a trabalhar e a estudar, na capital ou fora do País.
Mais tarde aparece a Cilinha a fechar o rancho coral, que se reunia no corredor ao fim da tarde, a cantar em várias “vozes” já orientado pelo Tó Duarte com os seus toques de natural sabedoria musical.
E era sempre festa se, de vez em quando, o chinelo não andasse pelo ar a acalmar as “loucuras” da criançada.
E esta é a minha homenagem ao nosso mano José Bernardino, que sempre conheci a estudar e a ser Professor!