Todos os livros existentes nas bibliotecas não seriam suficientes para descrever a minha profunda admiração e gratidão por tudo quanto aprendi junto dos meus “meninos e meninas” da idade maior durante os muitos programas “os Meninos de Ontem” e das publicações no Jornal Fórum. Nenhum estudo, tese ou carreira me poderá ensinar mais do que o que aprendi e aprendo com vocês.
Será sempre um enorme prazer ver-vos envelhecer felizes. Tudo fiz para isso, apesar de acorrentado pela força do poder que me impediu de colocar em prática valores de qualidade para uma melhor vida para todos.
O que aconteceu, ao tempo e não nos esqueceremos, em nada ajudou na concretização de alguns eventos e melhorias que contribuiriam, obviamente, para a melhoria da qualidade de vida de todos os utentes do Espaço das Idades que, em boa hora, criei para todos vós.
Quiseram livrar-se de mim, porque, por razões políticas, passei a ser um atropelo aos objectivos pretendidos para que, nessa época eleitoralista, fossem colocados no poder quem nunca se lembrou que esta faixa etária fazia parte dos que ainda contribuem para uma sociedade debilitada e despida de valores éticos e morais, com a sua experiência de vida, com os seus parcos haveres para ajudar quem deles precisa.
Mas, vamos continuar a lutar por estes ideais porque não sei o que nos espera o dia de amanhã. Vamos continuar a ter fé…
As alterações demográficas das últimas décadas, bem como o espantoso aumento da esperança média de vida, levaram a que o grupo etário com maior crescimento seja, actualmente, o das pessoas com mais de 65 anos.
É, pois, cada vez mais fundamental a compreensão, por parte dos nossos governantes, dos processos envolvidos no envelhecimento, dos requisitos necessários para o seu sucesso e dos obstáculos que o impedem.
Tendo em conta que os fatores socio-económicos e culturais têm vindo a afectar, sobremaneira, a vivência do envelhecimento, operacionalizado através do bem-estar total, que possa integrar afectos positivos, a satisfação de vida e a posição social a que têm direito, tudo leva a crer que o futuro (ainda uma incógnita) reserva, para a nossa sociedade (concelho da Covilhã) a concretização de programas de acção a desenvolver por gente experiente e conhecedora desta e outras vertentes da vida activa dos jovens e menos jovens.
Estamos, por isso, confiantes no nosso Município chefiado pelo nosso Presidente Hélio Fazendeiro que terá, com certeza, objetivos muito dignos para os nossos “Meninos de Ontem”.
Não perco, nunca, a vontade de ver um novo espaço, em lugar próprio, para o desenvolvimento da qualidade de vida a oferecer aos nossos “Meninos de Ontem” que continuam esperançados no regresso do antigo “Espaço das Idades”. Tenhamos fé.
Alem disso, é importante ter presente que se passou, na nossa sociedade, de um modelo de elevada natalidade e elevada mortalidade para um modelo de baixa mortalidade e baixa natalidade.
Esta mudança traz consigo enormes consequências sociais. No centro de tudo está o envelhecimento populacional.
O grupo etário com maior taxa de crescimento é, actualmente, o grupo acima dos sessenta anos, prevendo-se que em Portugal e em 2030, esse grupo venha a constituir cerca de um quinto da população, de acordo com dados do INE.
No nosso país, o índice de envelhecimento, que reflecte a relação entre o número de idosos (65 ou mais anos) e o de jovens (entre os 0 e os 14 anos), ultrapassou, pela primeira vez os 100, estando agora nos 103. Número crescente, nos anos que se seguem.
Esta tendência tem-se mantido e é possível que o número de adultos idosos possa mais do que duplicar o dos jovens até 2030 (números do INE).
Daqui a importância significativa a dedicar a programas de acção e incentivo para com os jovens e idosos e exigir que sejam os nossos governantes a criar as condições de vida social para aumentar a natalidade.
Não podemos esquecer nunca que, sem jovens, não haverá Portugal. Eles serão o futuro para garantir uma melhor e mais digna nação. Sem eles, a população envelhecida não terá condições de sobrevivência futura.
Vamos apostar na juventude, não descurando, nunca, a experiência de vida e os ensinamentos dos nossos “meninos e meninas” menos jovens.
Pensar no futuro dos nossos idosos é pensar no futuro de todos nós.
Uma sociedade que respeita a infância, mas abandona a velhice, perde parte da sua memória, da sua experiência e da sua humanidade.
Os idosos não precisam apenas de assistência. Precisam de dignidade, companhia, segurança e participação ativa na comunidade. Muitos viveram décadas de trabalho, sacrifício e dedicação à família e ao país. Hoje, merecem ser escutados, valorizados e protegidos.
Em Portugal, o envelhecimento da população é uma realidade cada vez mais evidente. Crescem as dificuldades no acesso a lares, aumentam os casos de solidão e muitos idosos vivem com reformas insuficientes para garantir qualidade de vida. Ao mesmo tempo, faltam respostas sociais, apoio domiciliário, cuidadores e políticas mais humanas para quem envelhece.
Pensar no futuro implica agir no presente:
- investir em lares com qualidade e fiscalização;
- apoiar as famílias cuidadoras;
- combater os maus-tratos e a violência sobre o idoso;
- criar mais centros de convívio e universidades seniores;
- promover cuidados de saúde acessíveis;
- incentivar o envelhecimento ativo e saudável.
Os idosos não podem ser vistos como um peso. São uma herança viva de conhecimento, afetos e valores. Muitos continuam capazes de ensinar, aconselhar, participar e contribuir para a sociedade.
O futuro dos nossos idosos depende da consciência coletiva de hoje. Porque a forma como tratamos os mais velhos revela, no fundo, o tipo de sociedade que estamos a construir para as próximas gerações.
Não podemos ignorar que, em toda a Europa Portugal, juntamente com a Itália, são os países mais envelhecidos.
Pensem nisto…