Opinião: Manuela Cerdeira | La Piovra
Por Jornal Fórum
Publicado em 05/06/2026 09:00
Opinião

Esta era a famosa série italiana, mais conhecida em Portugal como “O Polvo”, uma série centrada sobretudo no combate à Máfia Italiana, que começou a ser transmitida nos anos oitenta.

Este grandioso título, simbolizava os tentáculos da máfia, que se encontravam infiltrados na política, na justiça, na banca, nos negócios, na comunicação social etc. etc.

Hoje tal como na série italiana “La Piovra”, onde os ditos tentáculos da máfia se infiltravam nas Instituições de Estado, também em Portugal as recentes investigações a juntas de freguesia, ligadas sobretudo ao partido Socialista, levantam suspeitas sobre redes de influência, favorecimentos e promiscuidade entre política e interesses privados.

A “Operação Imergente” nome dado a esta investigação, trouxe novamente para o centro do debate, a necessidade de existir maior transparência, a necessidade de existir maior fiscalização, a necessidade de existir uma maior responsabilidade no poder local e um maior rigor no uso e manejo dos dinheiros públicos.

Mas façamos um périplo, pelas diversas investigações judiciais e operações, que foram bem mediáticas em Portugal e que envolveram, autarcas ou militantes do Partido Socialista:

- Operação Marquês - ligada ao ex-primeiro ministro José Sócrates, onde estão envolvidas suspeitas de corrupção, branqueamento e fraude fiscal.

- Operação Influencer – investigação relacionada com projetos de lítio, hidrogênio e um centro de dados em Sines, que levou à demissão de António Costa.

- Operação Tutti Frutti – investigação ligada a alegadas trocas de favores, contratos públicos e corrupção, onde estavam envolvidos dirigentes ligados ao PS e ao PSD, em juntas de freguesia de Lisboa.

- Face Oculta – investigação a corrupção e tráfico de influências, que atingiu figuras políticas e empresariais, ligadas ao universo Socialista.

- Operação Teia – investigação de autarquias e suspeitas de corrupção e participação econômica em negócios, ligadas ao universo Socialista.

- Caso EDP/ CMEC – investigação de rendas excessivas no setor energético, envolvendo decisores políticos tanto do PS como do PSD.

Muitos são os casos e muitas são as investigações e que muitas delas ficam em águas de bacalhau ou são atrasadas indefinidamente, existindo notoriamente uma proteção a esta classe política, que vive às nossas custas, que são colocados no poder por maiorias e que no fundo, não zelam pelo bem comum, mas sim pelo bem particular, onde a influência e a conveniência se sobrepõe, àquele que deve ser o serviço aos cidadãos.

Mais do que casos isolados, estas investigações voltam a expor um problema recorrente da democracia portuguesa: a excessiva proximidade entre poder político, influência partidária e interesses privados.

Quando o aparelho do Estado e o poder local são confundidos com redes de favorecimento, quem perde é a confiança dos cidadãos nas instituições.

Uma Democracia sólida, não se constrói sobre clientelas, favores ou promiscuidade entre política e interesses privados, constrói-se sim com transparência, responsabilidade e respeito absoluto pelos dinheiros públicos.

A transparência, a fiscalização e o rigor do uso dos dinheiros públicos, não podem nem devem ser palavras ocas de sucessivas campanhas eleitorais; têm, sim, de ser princípios permanentes, dessa que é - a vida democrática.

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