Penamacor mantém parecer desfavorável ao Parque Solar Sophia devido à sobrecarga do território
Por Jornal Fórum
Publicado em 23/10/2026 12:18
Sociedade

O Município de Penamacor manteve o parecer técnico desfavorável em relação ao projeto do Parque Solar Sophia, mesmo após a análise da proposta reformulada submetida a consulta pública. A autarquia justifica a decisão com o impacto cumulativo da concentração de infraestruturas de produção de energia renovável, considerando que esta sobrecarga compromete o equilíbrio ambiental, paisagístico e territorial do concelho.

 

Embora o executivo reconheça que a reformulação do projeto trouxe evoluções positivas, designadamente a redução da área de implantação, a exclusão de zonas integradas na Estrutura Ecológica Municipal, a definição de um corredor elétrico único e a diminuição da impermeabilização dos solos, o problema central da dimensão mantém-se. Aos cerca de 553,89 hectares já comprometidos com projetos desta natureza no município, somam-se os 624,54 hectares da atual proposta do Parque Solar Sophia, e elevando a área total afeta a este tipo de infraestruturas para mais de 1.178 hectares.

 

Perante esta pressão territorial, a Câmara Municipal reivindica a definição de um limite máximo de ocupação de 2% da área total do concelho para parques solares e equipamentos semelhantes. O município exige ainda que a avaliação de novos empreendimentos deixe de ser realizada de forma isolada, passando a integrar os efeitos cumulativos e sinergéticos dos vários projetos para travar a “artificialização progressiva” do território.

 

A insuficiência das contrapartidas apresentadas pelo promotor foi outro fator determinante para a posição da autarquia. O executivo local entende que as medidas compensatórias não refletem, de forma proporcional, a escala do investimento, a área ocupada e os condicionamentos futuros ao desenvolvimento local, defendendo que os benefícios económicos devem traduzir-se em oportunidades concretas para a fixação de população e dinamização da economia. Subsistem ainda reservas quanto à integração paisagística e às garantias de desativação e recuperação ambiental no fim da vida útil dos equipamentos. 

 

O município conclui o documento reafirmando o seu compromisso com a descarbonização, mas recusa que o concelho seja encarado apenas como um "espaço disponível" para grandes investimentos, exigindo uma transição energética justa, responsável e territorialmente equilibrada.

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