Os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, saíram à rua esta quarta-feira, 28 de outubro, para contestar o aumento das propinas e exigir melhores condições de habitação e ensino. A manifestação integrou o movimento nacional “Ninguém fica para trás” que mobilizou, hoje, também a academia em Coimbra, Aveiro e Évora, partilhando reivindicações comuns em defesa da ação social, de mais habitação pública e de um ensino superior de qualidade.
A crise na habitação estudantil, a falta de condições e o subfinanciamento foram o principal foco do protesto na cidade serrana. Durante a ação, os alunos denunciaram o aumento das rendas nas residências universitárias sem aviso prévio, criticando a degradação dos espaços. Entre as queixas relatadas pelos manifestantes contam-se a presença de bolor, placas de fogão avariadas e falta de elevadores em edifícios de difícil acesso. A falta de financiamento crónico da instituição foi igualmente apontada pelos estudantes, sendo a UBI uma das universidades com menos investimento por parte do Estado no país.
Rita Lucas, estudante do mestrado em Relações Internacionais, sublinhou que a falta de alojamento público empurra os universitários para o mercado privado marcado pela especulação imobiliária, inserindo o problema numa crise mais ampla do sistema atual. A aluna defendeu o cumprimento do artigo 76.º da Constituição, para que não haja uma elitização do ensino superior e que haja igualdade de oportunidades para todos os estudantes. Na mesma vertente, Ana Crespo e Maria Fernandes, alunas do 2.º ano de Cinema, lamentaram que o agravamento dos custos de alojamento não se reflita na melhoria das infraestruturas disponibilizadas aos estudantes.
O protesto contou com apoio e a união de vários núcleos de estudantes. A mobilização fez-se ouvir pela Covilhã através de palavras de ordem como “A propina é para acabar!”, “Bolsas sim! Propinas não!” e “Queremos camas para dormir!”. A manifestação estudantil promete não ficar por aqui, convocando os alunos para uma manifestação geral nacional agendada para o dia 18 de novembro, em Lisboa.