Opinião: Vítor Aleixo | A Carta da Semana
Novo ano, vida nova?
Por Jornal Fórum
Publicado em 16/01/2026 09:00
Opinião

Esta é a frase que ecoa nas redes sociais de muita gente que faz ler e ouvir por todo lado quando entra um ano novo.

Mas será que é verdade?

A Dona Maria mora numa antiga casa no centro histórico da cidade da Covilhã. Passo todos os dias à sua porta quando me desloco para o trabalho, ou seja, para a redação do jornal e da rádio. Dia 2 de janeiro desejei-lhe um bom ano e que tudo lhe corresse como ela deseja, e o desabafo logo estalou: “Oh menino muito obrigado, mas nem tinha dado conta que mais um ano passou, tudo na mesma como a lesma…”, desabafou com olhos tristes a D. Maria que se vai equilibrando com a sua parca reforma e a sobrevivência do marido. Juntas não chegam a 500 euros, onde paga ainda 250 euros de casa. “A minha sorte é não pagar medicamentos”, diz ela.

Mas não o dinheiro ou a falta dele que a preocupam mais, mas sim a solidão. Naquela rua mora pouca gente e os que lá moram são estudantes, saem de manhã e voltam à noite, as pernas entorpecidas já dão para poucas caminhadas e os dois filhos “já há anos que não os vê”.

Trago a história da D. Maria para ressalvar no início deste ano, a solidão de muitos idosos do nosso país e da nossa cidade. Homens e Mulheres que trabalharam muito para fazer o país crescer e para criar as suas famílias e que hoje alguns foram esquecidos e abandonados à sua sorte. Que o atual Governo consiga mudar o paradigma da indiferença e do abandono, o dinheiro é importante, mas a companhia, o afeto e o amor não têm preço. Acredito que alguma coisa será feita.

Esperemos que este ano novo seja de vida nova e não de vida velha e medidas na gaveta.

Um bom ano com boas leituras!

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