Henrique Gouveia e Melo nasceu em 1960 e cedo construiu uma carreira que une disciplina militar, serviço público e recentemente, protagonismo político. Almirante na reserva da Marinha Portuguesa, Gouveia e Melo ganhou notoriedade como coordenador da Task Force para a vacinação contra a COVID-19, em Portugal. Papel esse que o colocou na linha da frente da resposta sanitária e que lhe garantiu reconhecimento público por competência técnica e pragmatismo.
Aquando do anúncio da sua candidatura presidencial, momento em que a instabilidade política e a incerteza geopolítica eram argumentos centrais no seu discurso, Gouveia e Melo defendeu que o contexto internacional, nomeadamente as tensões entre a Europa e um novo mundo em reconstrução, bem como as fragilidades que observa na política interna justificam um papel presidencial que promova coesão e estabilidade acima de disputas partidárias.
O candidato afirma que quer ser um Presidente diferente, empenhado em unir Portugal e atuar como um agente que ultrapassa as clivagens partidárias. Gouveia e Melo tem repetido que se recusa a transformar a Presidência numa força política organizadora de partidos, considerando essa via perigosa para a democracia e contrária à independência rigorosa que o cargo exige.
No que diz respeito às ideias, a sua campanha tem procurado articular um discurso centrado na construção de um novo contrato social que combine dinamismo económico com justiça social e um reforço das estruturas estatais que respondam às necessidades dos cidadãos.
Em relação a temas mais sensíveis, Gouveia e Melo tem mostrado posições que procuram fugir ao tradicional. Tem rejeitado um discurso anti-imigração, e tem defendido que a imigração é uma oportunidade e que Portugal precisa de políticas claras de regulação que não contrariem princípios humanistas basilares, mesmo que isso custe votos. Ao longo de toda a campanha, tem sublinhado a importância de um Estado de combater as disparidades regionais, alertando para o risco de existir um país a diferentes velocidades. Por isso, defende uma aproximação institucional às realidades locais.
A sua campanha tem estado marcada por uma tentativa de ocupar um espaço entre o centro-direita e o centro-esquerda, afirmando que representa uma grande fatia de eleitores que não se reveem nem nas opções tradicionais nem nos extremos, pelo que rejeita a ideia de ser visto como candidato direto de qualquer partido. Nos debates e confrontos públicos, Gouveia e Melo tem insistido na ideia de que o Presidente deve ser um árbitro que garante segurança institucional e defende cautela no que concerne à abordagem a adotar, por exemplo, no que alude à reforma laboral ou vetos políticos, algo que considera uma ferramenta excecional, rejeitando por isso o seu uso recorrente.
Apesar de ter surgido inicialmente com posição de destaque nas sondagens e mesmo como favorito na corrida presidencial, os dados mais recentes mostram um cenário altamente competitivo, num empate técnico para a segunda volta. Na minha perspetiva, isto representa tanto a volatilidade das intenções de voto como os desafios de traduzir a notoriedade pública conquistada em apoio eleitoral consolidado.
Em suma, Gouveia e Melo representa um fenómeno singular na política portuguesa recente. Um militar de carreira e gestor de crise convertido num candidato à Presidência da República, numa altura em que os eleitores se demonstram cansados do conflito tradicional partidário. Gouveia e Melo oferece um projeto presidencial que procura responder à ansiedade e às incertezas do presente com uma promessa de eficácia e eficiência institucional.