Nuno Gomes apresenta exposição na Galeria António Lopes
Por Jornal Fórum
Publicado em 09/02/2026 16:54
Cultura

A partir do dia 10 de fevereiro, a Galeria António Lopes recebe uma exposição do designer de Moda Nuno Gomes.

A exibição intitula-se “MiMi” e estará patente ao público até ao dia 01 de março, de terça a domingo, entre as 10:00 e as 18:00, com entrada livre.

“MiMi” de Nuno Gomes é uma coleção masculina que propõe uma reconexão com a infância, onde é celebrada a liberdade criativa e a beleza da imperfeição. Inspirada nos rabiscos e desenhos infantis, a coleção projeta essa espontaneidade, através de uma linguagem que se pretende visual única, inundada de simbolismo, amor e memórias compartilhadas. A coleção é uma ode à nossa criança interior, dando a oportunidade aos parentes de carregarem consigo a criatividade dos seus filhos através do vestuário, enquanto verdadeiros símbolos de afeto e conexão.

Apesar deste gesto lúdico e quase nostálgico, a base do projeto repousa firmemente sobre códigos da alfaiataria – uma arte de saber fazer, tradição e excelência artesanal. A estrutura, o corte e a construção das peças mantêm o rigor técnico que define esta prática, não como um dogma formal, mas como uma linguagem que se presta a ser reinventada e contemporânea.

A arte têxtil e a contemporaneidade têm origem no projeto de coleção com a aplicação de tecnologias, como o corte a laser, permitindo mergulhar no universo gráfico infantil, dando corpo a formas e traços colhidos do gesto espontâneo das crianças. São desenhos imperfeitos, livres, carregados de emoção — que se transformam em intervenções têxteis e cortes minuciosos, aplicados com precisão sobre superfícies onde o tecido se torna a tela. Esta relação entre a componente técnica e a linguagem do afeto cria uma tensão poética: o rigor da alfaiataria acolhe, inesperadamente, o traço instintivo e emotivo do universo infantil. A impressão digital têxtil de padrões originais do autor desenvolvidos a partir destes fragmentos visuais - rabiscos, figuras soltas, pequenas narrativas gráficas - ganham uma nova vida através de estampagem digital (reduz o consumo de consumíveis e são soluções mais sustentáveis), sobrepostas numa paleta cromática que remete às salas de aula, às caixas de lápis de cor e aos cadernos pautados da infância. Cada escolha cromática, cada composição gráfica, parece querer resgatar algo que se perdeu com o tempo - uma forma de olhar o mundo sem filtros, onde a beleza reside na fragilidade e na liberdade.

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