EDITORIAL | De 6 a 66: As Eleições Presidenciais em Portugal
«O discurso acicatado até pode entrar em algumas franjas na sociedade, mas não entra na maioria. Até podemos concordar que é necessário controlar a imigração (não há dúvidas sobre isso) e que tem de haver mais fiscalização em muitas coisas no país, mas o que esta eleição provou é que as pessoas gostam de moderação, não de palavras mobilizadoras só do momento»
Por Jornal Fórum
Publicado em 12/02/2026 09:00
Opinião

Corria o mês de junho de 2025 e António José Martins Seguro apresentava a sua candidatura a Presidente da República nas Caldas da Rainha. Na época as sondagens davam a vitória à primeira volta a Henrique Gouveia e Melo e mais tarde, o mesmo candidato com Luís Marques Mendes a disputar a segunda volta. Seguro iniciou a sua caminhada com sondagens que lhe davam 6%, sem o apoio do PS, que mais tarde se revelou timidamente e só apareceu em força quando as sondagens eram favoráveis.

Mas voltando aos estudos de opinião, até ao início do ano Seguro não tinha mais de 14/15%, e começou a crescer depois dos debates e com a campanha de rua. Conheço dezenas e dezenas de militantes e simpatizantes do PSD que votaram em Seguro logo na primeira volta e o declararam publicamente.

No início da campanha comecei acompanhar as redes sociais de todos os candidatos. Vi a acutilância de André Ventura, a pouca consistência das campanhas de Gouveia e Melo e Marques Mendes, a impressão de rejuvenescimento e modernidade que Cotrim Figueiredo tentou passar, mas em Seguro vi uma coisa que não vi nos outros: povo, afetos e declarações de voto de cidadãos. «Agora podem perguntar-me: os outros também tinham». Então se tinha porque também não as colocaram para que víssemos.

E foi a partir da rua que a candidatura começou a crescer, mesmo sem brilhantismo ou uma acutilância forte, mas em janeiro percebi que não haveria grandes dúvidas e que o penamacorense se iria tornar Presidente da República.

O discurso acicatado até pode entrar em algumas franjas na sociedade, mas não entra na maioria. Até podemos concordar que é necessário controlar a imigração (não há dúvidas sobre isso) e que tem de haver mais fiscalização em muitas coisas no país, mas o que esta eleição provou é que as pessoas gostam de moderação, não de palavras mobilizadoras só do momento. Não o digo que Gouveia e Melo ou até Marques Mendes não o tivessem, mas não tiveram a clareza de Seguro e foi isso que os afastou da segunda volta.

As pessoas podiam não ver em seguro aquela acutilância ou até podiam dizer que era o menos mau de todos, mas viram nele: seriedade, transparência e moderação, foi isso que lhe deu a vitória.

Foi Seguro, ele e só ele o responsável por esta vitória, não outro nenhum partido ou grupo. Seguro ganhou por ele, pela sua figura e pelo que demonstrou ser como Pessoa.

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