As comemorações de Abril fizeram-se sentir, e bem, na última semana com muitas Sessões Solenes, Concertos e cravos na lapela. Acontecimentos que marcaram 52 anos de Liberdade, contra uma ditadura que nos amarou a evolução durante décadas. Isto é tudo verdade, mas a pergunta que deixo é: Será que em tudo se cumpre Abril. Deixo-vos umas perguntas, para que os Senhores Leitores apontem as respostas e no final digam se em todos os momentos da nossa sociedade se cumprem os desígnios de Abril.
Temos total Liberdade de Expressão e Opinião? E quando a há o que acontece? Somos todos tolerantes a opiniões diferentes, e quando alguém as tem e as expressa não retaliamos der alguma forma? Hoje há quem lide ainda mal com o escrutínio? Há quem ainda preferisse o lápis azul?
Não são afirmações, são questões para despertar a consciência crítica do Leitor, para que ele responda para si, no seu íntimo e tire as suas conclusões. É uma coisa boa que tem a escrita, é que desperta consciências, coloca algumas campainhas a tocar no nosso cérebro e isso por vezes faz-nos despertar para algumas realidades, para que estejamos atentos e alerta.
Abril trouxe Liberdade, direitos e garantias, gostemos ou não deles, Francisco Sá Carneiro e Mário Soares entre outros tinham consciência política, eram adversários políticos, mas respeitavam-se, discordavam, mas negociavam. Criticavam-se, mas mantinham sempre a cordialidade e o sentido de Estado.
Esperemos que o «corriqueirismo» não tome conta da política e que os cravos não estejam só na lapela, mas na consciência e na tomada de decisões dos políticos em prol das pessoas. E que se saibam respeitar as opiniões de quem fala, opina e escreve, com Liberdade, que as palavras sejam atos, que os cravos sejam consciência e que o poder não tolde memórias, mas que se desperte para servir todos sem exceção.
«Os portugueses têm a mania de dizer mal deles próprios. Quando vão para o estrangeiro percebem rapidamente que o nosso país tem muita qualidade e muito interesse. Mas só no estrangeiro» e «A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha», são frases de Mário Soares e Sá Carneiro, tirem as vossas conclusões.