Opinião: Luís Maia | O que acha quando eu digo que a pessoa mais importante da minha vida sou eu? Será isso egoísmo?
Por Jornal Fórum
Publicado em 23/07/2026 09:00
Opinião

É muito relevante esta questão levantada por uma amiga na rede social Facebook. 

Na minha humilde opinião como psicólogo, terapeuta e professor, temos mesmo que fazer esta pergunta: devemos dar mais atenção a nós próprios ou a outras pessoas ou coisas? E será essa uma posição egoísta?  

Bom, eu costumo perguntar aos meus utentes aquilo ou quem é mais importante na sua vida, e a maioria responde logo "os filhos" ou os pais, alguns, poucos, dizem o marido / a esposa, etc. Isso, na minha opinião técnica é um erro!  

Devemos ter uma posição face à vida a partir do nosso EGO (que deriva do latim como EU). Assim, não devemos ter uma atitude egocêntrica, narcísica nem egoísta, mas sim EGOICA (ou seja, A PARTIR DO MEU EU!). Assim, deixamo-nos de nos preocupar com coisas ou pessoas externas a nós e ao nosso núcleo de pessoas importantes. Devemos olhar para a nossa autoestima, mimar-nos, dar-nos carinho, não deixar que ninguém nos faça sentir inferior, devemos crescer como seres empoderados (com poder), seguros e felizes.  

Se tudo isso resultar é muito provável que nos sintamos e nos apresentemos aos outros como uma pessoa equilibrada, tranquila, resolvida e em paz. É isso que eu tenho obrigação de todos os dias mostrar à minha filha ("o pai está bem!") e aos que mais gosto. Como terapeuta é muito importante que eu demonstre uma grande confiança e segurança aos meus utentes e que se possam sentir completamente entendidos, ouvidos e ajudados, porque eu não estou à espera do julgamento de terceiros.  

No campo da psicologia sugere-se que a pessoa tenha então esta visão EGOICA que permita estar de bem consigo mesmo, com a vida e não ser importunado pelos problemas e infortúnios dos outros.  

Se por acaso o mundo se apresenta como uma ameaça, os outros se apresentam como tendo mais valor que nós e pior ainda, se vivemos a vida em função do medo de sermos aceites pelos outros então talvez necessitemos de ajuda terapêutica para desenvolver estratégias de empoderamento e, se o processo funcionar, aos poucos a vida vai sendo vivida a parir de um EU interno, muito acarinhado e respeitado por nós mesmos. Esse é o caminho para a felicidade e paz.  

Beijinhos e abraços e não se esqueçam de hoje, quando se forem deitar, darem muitos mimos a Vós próprios. Ninguém deve amar-nos mais do que nós mesmos. E dessa forma o mundo responde com a lei do Karma, que defende que aquilo que atiramos para o universo, o universo encarrega-se de nos devolver.  

Desta feita, se o principal sentimento que nutrirmos por nós for amor genuíno (repito, sem ser egoísta, egocêntrico ou narcísico), então a vida será maravilhosa! 

Deixo uma frase de um autor de quem não lembro o nome. "Não ande atrás das borboletas, elas fogem! Trate antes bem do seu jardim, floresçam as flores, e as borboletas virão naturalmente". 

Sejam felizes! 

 

Página profissional: www.luismaiapsicologia.com

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