Opinião: Manuela Cerdeira | O País à Prova
Por Jornal Fórum
Publicado em 23/07/2026 09:00
Opinião

Existem momentos em que um país é verdadeiramente posto à prova e muitas são as vezes em que isso acontece, como por exemplo nas crises inesperadas, mas pode e deve acontecer também, nessas muitas decisões, que se tomam todos os dias, para preparar o futuro e para proteger os seus cidadãos.  

Hoje os temas que merecem uma reflexão, são os da modernização dos exames nacionais, com a introdução da correção digital e ainda as dúvidas suscitadas em torno de um outro membro do governo, mais propriamente do Ministro da Administração Interna, relativo a um projeto privado de construção. 

À primeira vista, estes temas parecem não ter qualquer relação entre si e parecem mesmo caminhar em estradas paralelas, que nunca se cruzariam, mas por vezes, basta olhar um pouco mais fundo, para perceber que ambos os temas, nos conduzem ao mesmo destino, sendo eles a famosa confiança nas instituições, as famosas decisões públicas e ainda a famosa forma como o Estado se relaciona com os cidadãos.  

Mas enquanto um caminha para a evolução do mundo da educação em Portugal, onde podemos verificar uma maior rapidez na correção de provas, uma maior uniformidade na classificação, um maior anonimato, uma maior redução de risco de extravio de provas, uma menor utilização de papel, uma maior facilidade de auditoria e sem dúvida, uma modernização do sistema educativo, claro está apoiado numa boa plataforma, já a outra, coloca-nos na falta de confiança pública, porque os governantes  sabem ou devem saber, que a confiança constrói-se não apenas pela legalidade dos atos, mas também pela capacidade de evitar qualquer aparência de conflito de interesses e diga-se de passagem, que em política, a transparência é tão importante como a própria honestidade. 

Mas não podemos deixar de mencionar também o papel da oposição. 

Uma oposição que se classificou a ela própria de resistente, a essa mesma inovação na educação do nosso país, que vem para modernizar o sistema educativo e para nos colocar no mesmo patamar de outros países mais avançados e ao mesmo tempo, não exitaram em exigir responsabilidades políticas imediatas, num dossiê que está ainda em apreciação pública. 

Esta dualidade de critérios, acaba também por nos transmitir uma imagem de pouca clareza e de uma oposição mais preocupada com o confronto político, do que com uma avaliação consistente de cada caso e quando a crítica é condicionada pela conveniência política, o que se verificou na apreciação feita em particular pelo partido socialista, que atacou todo o governo menos o seu pupilo socialista, o que nos leva a concluir que este partido em particular, corre o risco de enfraquecer a sua credibilidade como oposição e em democracia, a exigência ética deve ser igual para todos, independentemente da cor partidária. 

Em suma modernizar a educação, exigir transparência na vida pública e ao mesmo tempo exercer uma oposição coerente, não são objetivos incompatíveis, são pelo contrário, três exigências de uma democracia madura. 

Porque um país não se mede só pelas decisões que toma, mede-se também pela forma como as discute, as fiscaliza e as concretiza e é aí, que Portugal continua a ser, um País à prova.

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