O Cravo!
Cravo rendilhado, na arma pendurado ao alcance
de qualquer um: criança, velhinho, todos o veneram
como seu “dono”, o povo Português e mais
nenhum!
Num abril revoltado foi colhido e pespontado
para a cidade foi levado, numa arma depositado!
O povo saiu à rua e nas mãos, o cravo reluzia
O vermelho tinia com gritos de LIBERDADE
IGUALDADE para um povo oprimido, amordaçado.
Agitado com tal rebeldia.
De mão em mão passava o cravo e suas folhas
não caíam. Com garra da terra arrancado, em armas florescia.
Hoje, é símbolo de Abril, no 25 homenageado.
Por ele se perderam vidas, mas também por ele
O povo foi LIBERTADO!
Se estendo os braços agarro a tua asa!
Faz tangentes na minha janela, deixando um rasto de sombra no parapeito.
Sobranceira, elegante, na areia deixa marcas enviesadas das suas membranas desenhadas com perfeição.
Voa alto, esta gaivota anafada, pavoneia-se em esquinas que tocam o céu.
Senhora e dona de um imenso azul carrega nas suas asas a velocidade de um jato, sem rasto.
É cantada em sublime poema de Abril, gaivota – rainha dos céus - voa, voa, leva longe meus pensamentos, deixa-me ser tua por um momento, planar nas tuas asas, sentir o frio do vento, a humidade da nuvem e poder possuir o mundo sem tormentos!
Usarei a tua liberdade no voo dos encontros submersos, nos amores perversos, transformarei tempos adversos em tempo d’ Amor.
O teu voo, a minha Liberdade!
Se te dou um grito grasnas como uma louca!
Em bando, promoves arruadas, a força da união.
Se um dia puder ser como tu, gaivota, deixarei no universo, as marcas de um tempo sem medo, sem pudor, sem dor.
Gritarei ao mundo os meus anseios, as minhas revoltas.
O teu grasnido será o meu Grito!
Se te cheira a peixe cercas o barco, segues o instinto,
lutas desenfreadamente pelo alimento que te dá corpo,
Vida!
A tua fome, a minha luta pela Sobrevivência!
Um dia, serei como tu, gaivota, LIVRE!
Os livros são escapes de qualquer preocupação
sobre o nosso trabalho e o nosso ganha-pão
também nos lembram como certos
Presidentes falam da Paz em vão.
Os livros são escapes contra toda a opressão
quer seja na Ditadura ou hoje no Afeganistão.
Os livros são escapes com rumo à Liberdade
para que num país em que a Ditadura caia,
o povo possa atingir a felicidade como fez o nosso
Capitão Salgueiro Maia.
Eu gosto de te ver, oh mar!
Eu gosto de sentir o teu calor
Eu gosto de ficar com o sal na cara
Eu gosto de apanhar as conchas dentro de ti!
Ver as crianças com frio, mesmo estando calor
Sentir a tua brisa
Ver as tuas ondas com milhões de metros
Apanhar um escaldão, enquanto olho para ti.
Ver os surfistas e as crianças a divertirem-se contigo
Os marinheiros a pescarem em ti!
Todos os verões me divirto contigo
Mergulho e sinto a tua frescura
Contigo estou sempre feliz.
João Pires