Os portugueses demonstram um dos mais altos níveis de confiança e aprovação da União Europeia. O Eurobarómetro mais recente, divulgado em julho, mostra-nos que 94% dos portugueses veem a União Europeia como um espaço de estabilidade num mundo conturbado, valor muito acima da média comunitária de 75%. Além disso, 9 em cada 10 consideram que o país saiu a ganhar por pertencer ao projeto europeu. Este é um dos mais elevados valores de toda a Europa.
Ainda assim, este retrato numérico de um país apaixonado pela Europa não é suficiente para entender o verdadeiro apego à União Europeia em toda a extensão nacional, desde os grandes centros litorais até aos territórios baixamente povoados do interior. A resposta não está em inquéritos ou sondagens, está no terreno. A Beira Interior é um ótimo lugar para procurar.
Francamente, este entusiasmo europeísta não é cego. Ganha-se, todos os dias, com a materialização concreta do que é a União dos 27. Vemos a Europa nos nossos direitos, alguns que já nem calculamos nem damos conta, como o direito de ir e vir sem prestar justificações; estudar, trabalhar e vender sem fronteiras; uma moeda comum e estável; com regras que protegem o produtor e o consumidor; e, também, com apoio ao investimento público para que as regiões europeias se aproximem cada vez mais em riqueza e, acima de tudo, em qualidade de vida. Não falamos de números numa folha de cálculo. Falamos das escolas recuperadas, do centro de saúde requalificado, da empresa que se decide instalar na nossa região, do espaço público devolvido às pessoas...
23 mil milhões do Portugal 2030, 22 mil milhões do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), 6,1 mil milhões de euros da PAC (Política Agrícola Comum). Estes são alguns dos valores que, neste momento, financiam o desenvolvimento da nossa agricultura, a modernização dos nossos serviços públicos e privados, o fomento da produção industrial, a fixação de residentes nas áreas de baixa densidade populacional, através da criação de emprego, entre outros. São estes apoios que ajudam a manter vivos o queijo, o azeite, o vinho, as cerejas, e a segurar gente onde o despovoamento aperta. Sem esse apoio, haveria o mesmo cuidado com as nossas regiões?
Ainda, a Europa mudou a nossa relação com a fronteira. Aquilo que durante séculos foi uma linha que separava é hoje um espaço de trabalho conjunto. O maior projeto europeu de cooperação transfronteiriça está aqui, na linha que une Portugal e Espanha. Através de uma construção conjunta, a Raia representa, cada vez mais, um espaço de convivência e de partilha. De um lado e de outro nascem projetos que sozinhos não existiriam.
E depois há o investimento nos mais novos, onde se joga o futuro. Mais de 100.000 estudantes portugueses já viveram um Erasmus, num programa que une milhões de europeus desde 1987. Falamos de milhares de jovens que puderam conhecer a Europa e voltar às suas origens mais ricos em experiências.
Olhando este panorama geral, percebemos de onde vem o tal apego do qual falávamos anteriormente. Não há apoio à Europa que nasça de slogans. Os portugueses apoiam a União Europeia, porque esta tem resultados palpáveis. A Beira Interior não está à margem da Europa, está lá dentro, e beneficia disso todos os dias, mesmo quando ignoramos o produto desta integração. Contudo, reconhece-se que muito fica por cumprir por falta de conhecimento ou por uma complexidade extrema dos processos exigidos.
Por isso, existem centenas de centros de apoio por toda a Europa, como o Europe Direct Beira Interior. Somos o ponto de contacto local com a União Europeia, onde qualquer pessoa esclarece uma dúvida, percebe que direitos e apoios tem e como lhes aceder, sem se perder em burocracia. Trabalhamos com escolas, associações, empresas e autarquias, e levamos a informação a quem dela precisa, numa linguagem que se entende.
O apoio recorde à União não caiu do céu. Construiu-se algo forte ao longo dos 40 anos desde a adesão de Portugal à, então, CEE (Comunidade Económica Europeia). Estradas, escolas, campos, empresas e pessoas que ganharam mundo sem deixar de ser daqui. Os números do Eurobarómetro dizem que gostamos da Europa. A Beira Interior pode explicar o porquê. Esta rubrica existe para o mostrar, texto a texto, com factos que confirmam que, aqui, ser da Beira Interior e ser europeu são a mesma coisa.
Por isso, se algum dia se perguntar ‘afinal, onde anda a Europa?’, olhe à sua volta, contemple os avanços vividos e responda para si mesmo: A Europa está bem aqui!