Opinião: João de Jesus Nunes | ALGUMAS MULHERES REFERIDAS NA BÍBLIA
Por Jornal Fórum
Publicado em 17/09/2026 09:00
Opinião

Dando continuidade ao propósito de avivar a memória sobre algumas mulheres referidas na Bíblia, depois de ter publicado, noutro periódico de informação, o texto “As Mulheres mais importantes na vida de Jesus”, trago para este título jornalístico algumas figuras femininas da história bíblica. Se algumas se distinguem pelas suas virtudes e pela sua conduta exemplar, outras são, pelo contrário, o reverso da medalha.

Comecemos pelas filhas de Job. Depois de todas as provações por que passou, “o Senhor abençoou os últimos anos de Job, mais ainda que os primeiros”. Teve ainda sete filhos e três filhas, às quais deu os nomes de Pomba, Cássia e Azeviche. Eram consideradas as mulheres mais belas de toda a região e, num gesto pouco habitual para a época, Job deu-lhes também uma parte da herança, entre os seus irmãos.

No livro de Daniel encontramos a história de Susana, mulher de Joaquim, muito bela e temente a Deus. Dois anciãos, que exerciam funções de juízes, observavam-na e apaixonaram-se por ela. Certo dia, tentaram forçá-la a ceder aos seus desejos. Perante a sua recusa, acusaram-na falsamente de adultério, procurando que fosse condenada à morte. Foi então que surgiu Daniel, que descobriu a falsidade do testemunho dos dois anciãos. Susana foi salva e os seus acusadores acabaram condenados pela calúnia que haviam lançado sobre ela.

Na genealogia de Jesus Cristo aparecem também várias mulheres de particular importância: Tamar, mãe de Farés e Zara; Raab, mãe de Booz; Rute, mãe de Obed; e a mulher de Urias, Betsabé, mãe de Salomão. A genealogia termina em José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.

No Livro dos Juízes surge a mulher de Manoel, inicialmente estéril, a quem um mensageiro de Deus anunciou que teria um filho. A criança seria consagrada ao Senhor desde o seio materno.  Nasceu assim Sansão, uma das figuras mais conhecidas daquele período bíblico.

Também o Evangelho segundo São Lucas nos fala de Isabel, esposa de Zacarias. Ambos eram já de idade avançada e Isabel era estéril. Contudo, a sua súplica foi atendida e nasceu João, aquele que viria a ser conhecido como João Batista.

Bem diferente é a figura de Herodíades, ligada à morte de João Batista. Herodes mandara prender João por causa dela, pois tomara por mulher a esposa de seu irmão Filipe. Durante um banquete, a filha de Heroíades dançou perante o rei, que, agradado, lhe prometeu conceder o que pedisse. A jovem consultou a mãe e esta aconselhou-a a pedir a cabeça de João Batista. Assim aconteceu, num dos episódios mais dramáticos dos Evangelhos.

 Nos Atos dos Apóstolos encontramos Lídia, natural de Tiatira e negociante de púrpura. Era uma mulher que adorava o verdadeiro Deus e escutava atentamente a pregação de Paulo. Depois de receber o batismo, juntamente com a sua família, ofereceu hospitalidade aos apóstolos, convidando-os para sua casa. É uma das primeiras mulheres cristãs cuja presença se destaca na expansão do cristianismo.

O Livro de Tobias apresenta-nos Sara, filha de Raguel. Tinha casado sete vezes, mas os seus maridos morreram, vítimas de Asmodeu, o demónio malfazejo.

Profundamente angustiada pelos insultos que recebia, chegou a pensar em pôr termo à vida. Porém, refletiu no desgosto que causaria ao pai e preferiu dirigir uma prece a Deus. A sua oração foi ouvida e o anjo Rafael foi enviado para dar remédio às dificuldades de Sara e de Tobit.

Ainda do Livro de Tobias encontramos Ana, mulher de Tobit. É retratada num momento de grande emoção, quando aguarda ansiosamente o regresso do filho Tobias. Ao vê-lo chegar, corre ao seu encontro e abraça-o. Tobias trazia consigo o remédio que permitiria ao pai recuperar a visão. Ana, emocionada, exclama: “Já te vejo, meu filho. Agora posso morrer”, numa manifestação de profundo amor maternal.

Sara, mulher de Abraão, é outra das grandes figuras femininas da Bíblia. Já de idade muito avançada, recebeu a promessa de que iria ser mãe. Deus mudou-lhe o nome de Sarai para Sara a anunciou a Abraão que ela daria à luz um filho, Isaac. Apesar da idade de ambos, a promessa concretizou-se, tornando-se Sara símbolo da fé da confiança em Deus.

Finalmente, no livro do Êxodo, encontramos a mulher que, para salvar o filho recém-nascido, o escondeu durante três meses. Não podendo ocultá-lo por mais tempo, colocou-o numa cesta de papiro, entre os juncos, junto ao rio. A filha do faraó encontrou a criança, teve compaixão dela e decidiu adotá-la. O menino recebeu o nome de Moisés, tornando-se posteriormente uma das figuras centrais da história bíblica.

São muitas as figuras femininas que se evidenciaram pelas suas virtudes ou pelos seus defeitos nas páginas da Bíblia, não sendo possível referi-las todas num espaço necessariamente limitado. Muitas das narrativas aqui recordadas são sobejamente conhecidas, mas vale a pena avivar a memória sobre personagens que, de diferentes formas, marcaram a história bíblica.

Entre muitas outras, poderíamos recordar Agar, escrava de Abraão; a profetisa Ana; a samaritana; Candace, rainha da Etiópia; Priscila, mulher de Áquila; Rebeca; a mulher cananeia: e Noémi e Rute.

São mulheres muito diferentes entre si, mas todas elas deixaram, por uma razão ou por outra, a sua marca na narrativa bíblica.

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