Opinião: Luís Maia | “ONLY DEAD FISH GO WITH THE FLOW!” (Tradução: “Apenas os peixes mortos vão com a corrente!”)
Um livro de David Swenson
Por Jornal Fórum
Publicado em 17/09/2026 09:00
Opinião

AUTOR

Luis Maia – Professor Universitário Doutorado na Universidade de Salamanca, Espanha – Professor da UBI

 

Ninguém merece ser desamado, principalmente por aqueles que lhe são próximos.

Deixemo-nos do politicamente correto, da falta de expressão emocional, das atitudes defensivas que impedem as pessoas de expressar o que sentem pela vida.

Quando somos crianças e não aprendemos as regras básicas da comunicação com o mundo, podemos sempre esperar ser desculpados pelas nossas falhas, pois que ainda não tenhamos maturidade suficiente para compreender os meandros em que a vida se organiza e qual o papel que temos para nos posicionar perante o mundo.

Mas hoje, como adultos, qual será a nossa desculpa?

Depois de ler este texto, o que o impedirá de chegar a casa e abraçar o seu filho da forma mais ternurenta que conseguir, mesmo que ele não perceba porquê?

O que o impede de, até de uma forma muito carinhosa e brincalhona dizer à sua esposa ou esposo, qualquer coisa como: “Olha, antes que me esqueça, tenho uma coisa para te dizer!”

“Diz lá então!”

“Amo-te! E obrigada por este caminho que estamos a fazer!”

No início as pessoas vão estranhar, o mundo vai estranhar, mas, com o passar do tempo, começará a ser vista ou visto como uma pessoa que é incapaz de negligenciar o mais puro dos sentimentos: o amor.

Deixarei aqui algumas perguntas que, talvez, para muitas pessoas não se adaptarão, mas tenho a certeza de que para uma enormidade de pessoas cairão como uma luva.

Não responda logo. Vá pensando e gastando cerca de uns segundos em cada questão que lhe colocarei. E depois chegue às suas próprias conclusões:

Qual foi a última vez que quando um filho seu cometeu um erro, em vez de o criticar e minimizar a sua existência, teve uma atitude de dizer: “Sabes filho, o pai já errou muito mais que isso! Se quiseres falar sobre o assunto agora, podemos falar, mas se não quiseres, convido-te para irmos jogar uma partida de snooker que tu tanto gostas, pois deves estar aborrecido e não te quero ver assim!” (?)

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Qual foi a última vez que chegou ao pé dos seus pais e lhes disse “Sei que por vezes é difícil entendermo-nos pois temos opiniões muito diferentes acerca deste assunto, mas Vós sois os meus pais, e por tudo o que fizeram por Nós, peço-vos desculpas pela minha falta de paciência!” (?)

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Qual foi a última vez que olhou para o seu companheiro ou sua companheira e disse “Obrigado por fazeres de mim uma pessoa melhor!” (?)

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Qual foi a última vez que se deu ao trabalho de pensar na quantidade de pessoas que gostam de si, que dependem emocionalmente de si, que o amam, e que, pelas vicissitudes da vida, em nenhum momento lhes dá a saber que é um privilégio ser amada por elas. (?)

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Quando desceu pela última vez do seu pedestal de sofrimento e pensou, se sofro com a minha vida, estas pessoas que eu amo também estão a sofrer com as delas, que em muitos casos até se confundem e misturam, e por isso vamos fazer esse caminho conjunto e não de forma solitária e egoísta?

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Quando foi a última vez, que teve mesmo a consciência que nas veias dos seus mais próximos o sangue que corre nas suas veias, representando a vida, o crescimento e o sofrimento para manter essa vida, não é diferente do seu?

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Qual foi a última vez que pensou que a vida está a passar? Os segundos, minutos, horas e dias, parecem estar de alguma forma a escarnecer de nós, pois os dias passam e temos por vezes a ideia que tudo o que construímos, ou nos foi presenteado, é duradouro e eterno, e pior ainda, termos a noção que também nós o seremos?

(não responda já, por favor, pense um pouco)

Um dos homens mais importantes da minha vida disse-me um dia: “Luis, nós não somos donos de nada. Essa é a maior ilusão que a humanidade criou para si própria. Apenas administramos as coisas, neste mundo terreno. Quando morrermos, tudo passará a ser administrado por outros. Até pode ser por outras pessoas que amamos, mas as coisas a que tanto demos atenção e importância, ficarão cá todas, e o ciclo continuará a repetir-se até ao fim dos tempos!”

Apenas uma coisa parece perdurar e marcar a vida de todas as pessoas, as que ainda cá estão e as que já partiram: o amor.

Ao finalizar esta crónica sou invadido por uma ambivalência enorme, pois pretende ser uma obra para o público em geral, mas sustentada em pressupostos científicos, académicos e até religiosos.

E fi-lo desta forma porque decidi dar um murro na mesa!

É sim possível juntar uma visão científica, académica e religiosa acerca das dimensões humanas como o amor.

Poderá demorar mais tempo para alguns, mas quanto ao tempo, ouso terminar assim:

“NADA COMO O TEMPO

“Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o ‘alguém’ da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”

(Autor desconhecido7)

Ao meu pai (que já cá não está) e à minha filha Daniela. Que seja uma grande mulher, mas que acima de tudo seja feliz e tenha amor...

Uma boa vida para todos!

"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor." 1.C.13:13

ONLY DEAD FISH GO WITH THE FLOW!

 

Para contactar o autor desta obra, é favor consultar:

- Página web de Luis Maia: www.luismaiapsicologia.com

- Email:  luismaia.gabinete@gmail.com

- Cédula Profissional da Ordem dos Psicólogos, n.º 102

- Mestre em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Lisboa

- Professor Doutorado – Universidade da Beira Interior

- Neuropsicólogo Clínico, Doutoramento (USAL - Espanha)

- Especialista Médico Jurídico – Pós-Doutoramento (Instituto de Medicina Abel Salazar -     Porto, Portugal)

- Licenciatura em Neuropsicologia Clínica (USAL - Espanha)

- Licenciatura em Proficiência Investigativa em Psicobiologia (USAL - Espanha)

- Licenciatura em Psicologia Clínica e da Saúde (Universidade de Minho - Portugal)  

- Perfil completo no CV- ORCID - https://orcid.org/0009-0008-0241-799X

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