Hoje venho explicar uma vez mais, que o jornalismo desempenha um papel fundamental numa sociedade que se diz democrática e lembrar uma vez mais, que a sua missão não se limita simplesmente a transmitir acontecimentos, mas também a informar, a questionar, a investigar e a colocar diferentes vozes no espaço público.
Lembrar também que é através do jornalismo, que os cidadãos têm acesso a informação, que lhes permite compreender melhor a realidade que os rodeia e a partir daí, formar a sua própria opinião.
Mas lembrar também, que o jornalismo só pode cumprir verdadeiramente a sua função, quando existe verdadeiramente a famosa Liberdade para perguntar, para investigar, para denunciar, para ouvir diferentes posições e sobretudo para permitir que opiniões divergentes, possam ser expressas.
E é por tudo isto que a liberdade de expressão, é inseparável de uma democracia saudável e não significa que tenhamos de concordar com tudo o que é dito, significa sim aceitar que o outro também tem direito de pensar de forma diferente, de questionar e até de discordar.
Pois caros leitores, é precisamente quando uma opinião nos incomoda ou contraria aquilo em que acreditamos, que percebemos a verdadeira dimensão da liberdade, porque defender a liberdade de expressão, apenas quando ela está de acordo com a nossa opinião não é, verdadeiramente, defender a liberdade, mas sim começar a impor o famoso silêncio e que muitas vezes é bem visível em especial à escala regional, onde uma voz crítica, pode facilmente ser vista como incômoda.
Um verdadeiro órgão de comunicação, não tem que seguir a cartilha de ninguém, nem deve ser obrigado a falar apenas quando a crítica serve determinada narrativa, a comunicação social existe acima de tudo, para informar e também para incomodar.
Mas cabe também ao jornalismo questionar prioridades, escrutinar gastos públicos e dar voz às necessidades reais da população, sobretudo quando assistimos a apoios, que subscrevem e canalizam atenções, para iniciativas de discutível prioridade para a região e que são apresentadas sem estudos credenciados pelas instituições de reconhecido mérito e que ainda assim, procuram recolher e obter apoio público o que pode também evidenciar sem dúvida alguma, a falta de rigor na definição das prioridades da região, mas também não podemos ignorar essa importância da literacia cívica, porque não se pode ter apenas um gesto de adesão, mas deve-se sim ter uma decisão consciente e esclarecida, sobre aquilo que se pretende defender.
A democracia constrói-se com liberdade, mas também com responsabilidade: responsabilidade de quem governa, para ouvir, para esclarecer e prestar contas; responsabilidade de quem comunica, para informar e questionar com rigor; e ainda a responsabilidade de cada cidadão, para participar de forma consciente e esclarecida.
Porque uma democracia verdadeiramente livre, não se faz de silêncios convenientes, mas de vozes responsáveis, críticas e capazes de discordar.
A liberdade de expressão, não pode ter partido.