Este ano marcou o início, na Covilhã, de diversos procedimentos cirúrgicos de rotina recorrendo a sistemas robóticos. Contudo, é fundamental não esquecer que este desfecho resulta de um trilho desbravado muito antes. Não devemos esquecer o primeiro Curso de Introdução à Cirurgia Robótica promovido pela UBI, via Faculdade de Ciências da Saúde, em particular através do seu Centro de Simulação Cirúrgica (CUBI). Esse passo inaugural deu-se em abril de 2022 — há, portanto, precisamente quatro anos.
Naquele período, em que mal tínhamos despertado do pesadelo da Covid-19 — o tempo corre veloz —, a UBI distinguiu-se ao promover esta formação para 36 profissionais de todo o país, incluindo as regiões autónomas. Este e os demais cursos que se sucederam apenas foram possíveis graças a uma parceria estratégica entre a UBI e a empresa ‘Excelência Robótica’, que disponibilizou o robot-cirurgião “Da Vinci”.
À dinâmica da Faculdade de Ciências da Saúde, então dirigida por Miguel Castelo Branco, aliou-se a visão do Reitor Mário Raposo — um dos maiores entusiastas destas novas tecnologias. Foi ele quem mobilizou os Presidentes de Câmara da época, Vítor Pereira, representado por Hélio Fazendeiro, e Paulo Fernandes, bem como o Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Anselmo de Castro, para testemunharem “in loco” a ação formativa, tendo todos ficado imediatamente convertidos à ideia, como o signatário pôde testemunhar em primeira mão. Foi também durante a visita do então primeiro-ministro António Costa à UBI, a 25 de janeiro de 2023, que Mário Raposo apresentou, ao mais alto nível, as prementes necessidades de implementação da cirurgia robótica e os planos de expansão da Faculdade de Medicina. Este projeto permitiria alargar, se implementado, as 145 vagas do curso de medicina então existentes para 190 novos médicos em formação após a expansão.
Há um ano, em abril de 2025, coube a João Marques Gomes, presidente do Conselho de Administração da ULS Cova da Beira, anunciar a aquisição do primeiro robot para cirurgias, com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). No passado mês concretizaram-se as primeiras cirurgias e, já neste mês, o calendário prossegue, nomeadamente na área da ortopedia, como oportunamente noticiaram os órgãos de comunicação social locais.
É verdade que há muito a fazer no Concelho da Covilhã. É imperativo que não nos conformemos com as escassas migalhas que o "Grande Papão do Litoral" deixa cair para o interior — até porque é essa mesma recusa em aceitar o pouco que permite à Covilhã afirmar-se, hoje, como a pioneira absoluta entre as cidades do interior neste domínio da robótica médica. Mas não é menos verdade que, para que as migalhas caiam deste lado, é necessário que alguém as sopre na direção certa. É justo que se reconheça quem mobilizou vontades e quem fez o "trabalho de casa", ora de forma visível, ora através de uma diplomacia mais discreta.
É aqui que, uma vez mais, fica demonstrado que quando os responsáveis locais trabalham em conjunto, mobilizam vontades e coordenam ações, torna-se possível vencer o fado que parecia reservado ao nosso território. Acima de tudo, é necessária audácia para crer que o impossível está ao nosso alcance. Os velhos mestres do futebol ensinavam-no logo nos primeiros treinos: quem joga para o empate, perde! É essencial jogar para ganhar. E a vitória exige método: o tal "trabalho de casa" invisível, o “lobby” persistente e sem o brilho imediato das redes sociais, mas que constitui o alicerce de qualquer conquista final.
Que este exemplo de sucesso não seja um episódio isolado, mas sim o toque de clarim para uma nova era de exigência e ambição. É tempo de sacudir o pó do imobilismo e erguer a voz da nossa terra com a força de quem sabe que o talento aqui residente não deve vassalagem a ninguém. Que cada covilhanense, cada instituição e cada líder veja nestes robots não apenas máquinas, mas o símbolo da nossa recusa em sermos meros figurantes da história. Unamo-nos na construção de um futuro onde a inovação seja o nosso estandarte e a audácia o nosso destino, pois a Covilhã não nasceu para esperar por migalhas, mas para conquistar, pelo seu próprio punho e engenho, o lugar que merece na vanguarda do país!