Em tempos de redes sociais, em que as pessoas ignoram rapidamente tudo aquilo que não querem ver, é preciso esclarecer certas coisas antes de começar a falar sobre este assunto. Então, para bem tratar o leitor, vou pautar a minha opinião de forma a respeitar certos conceitos.
Há dois tipos de socialismo. O clássico, europeu, baseado no bem-estar social e o outro, por mim chamado de tropical. No primeiro, temos um modelo de sociedade que busca defender a coletividade, onde o interesse corporativo ou pessoal não pode ser maior do que o interesse social. O tropical, utiliza-se do discurso do socialismo clássico, mas é praticado por pessoas de mau caráter. Querem nomes? Lula da Silva, Nicolás Maduro, Fidel Castro (já falecido), entre outros. Nessas republiquetas, como aquela em que eu vivia, impera a corrupção, o atraso e a insegurança. Todas tendem à ditadura. E já não é preciso dizer mais. Ninguém quer isso em Portugal.
Estamos à «beira» do 25 de Abril. Uma data que, bem mais do que ser comemorada, no sentido de não ser esquecida, deve ser celebrada. Sempre! Mas há diferenças entre comemorar e celebrar. Embora a data máxima portuguesa mereça ser festejada, a celebração é algo maior, mais elevado, como devem ser todos os direitos que foram adquiridos com o fim da ditadura.
E por falar em «direitos», há na democracia um certo termómetro. Quando precisamos «exercer» os nossos direitos, sabe-se lá com que frequência, força ou movimento, é sinal de que os mesmos estão a ser desrespeitados ou deixados de lado. Também, num estado social, o direito de uns não pode causar prejuízos ao bem-estar dos demais. A greve, por exemplo, é um direito dos trabalhadores, mas só pode ser exercido por aqueles que não temem perder o próprio sustento. Como não vivemos no comunismo, em que tudo pertence ao Estado, inclusive os empregos, é preciso ter cuidado quando se tomam medidas impetuosas.
Não sou contra a greve. No entanto, as paralisações devem ser exercidas de maneira assertiva. De nada adianta – e a prova aí está – fazer greve três vezes por ano se «remédio da greve» não surte efeitos onde é preciso. Não se combate o cancro com aspirina. Para cada mal há um fármaco. Como se sabe, todo o remédio pode ter efeitos secundários. A greve, por sua vez, é um desses mecanismos que os trabalhadores usam para exigir melhores condições de trabalho e rendimento. No entanto, quando é mal planeada, pode provocar reações adversas e indesejadas, como esta da última sexta-feira.
Depois de duas semanas de férias dos professores (os funcionários continuaram a atender a ATL), deparamo-nos com a escola A Lã e a Neve fechada. Greve! Outra vez. Qual foi a primeira reação que nós, pais, tivemos? Greve? Numa sexta-feira? Estás a gozar com quem trabalha! Pois então. Esta não é uma boa reação. Não fortalece a causa nobre da Educação. Ao contrário, enfraquece. Posso até imaginar que, para certos pais, deve ter passado pela cabeça o pensamento de que esta greve serviu para que os grevistas pudessem ir conhecer o novo Mercadona. Não é feio pensar assim? O que pode ser verdade, é que enquanto os professores têm certos direitos, os funcionários não. Há sim, uma desigualdade que precisa ser revista, mas não às custas dos outros.
Mas voltemos ao lado inteligente da conversa. E por falar em «inteligência», é preciso fazer uso dela quando se quer impactar a opinião pública. No meu entender, essas reiteradas greves relâmpago de nada servem, senão para criar transtornos a quem trabalha, a quem não tem com quem deixar os filhos para poder exercer o seu «direito de trabalhar». Enfim, atinge quem não tem o «direito» de faltar ao trabalho, nem que seja para juntar-se e apoiar a nobre causa da Educação. Quem paga a conta, afinal? Os trabalhadores, é óbvio. Este é o grande antagonismo da greve, quando é praticada de forma desinteligente. Convenhamos! Há outras maneiras de envolver a opinião pública.
Antes de encerrar, queria lembrar aos trabalhadores da educação que esta é uma das mais nobres atividades humanas. Todo o futuro passa pelas mãos destes profissionais. Todos os dias! Crianças saudáveis vão duas vezes ao ano ao médico. Insisto! As que têm a sorte de nascer saudáveis, não morrerão se os médicos fizerem greve no dia da consulta de rotina. No entanto, as crianças vão diariamente à escola, e os pais, que trabalham (o que é a esmagadora maioria), têm o direito de apresentar uma justificação no trabalho por conta de uma consulta médica, mas têm os seus salários descontados quando faltam ao trabalho por causa da greve dos funcionários da Educação.
Ao encerrar, vamos tocar no assunto em que a greve deveria causar impacto: na política. Por que será que o Chega está a crescer tanto? Se por acaso os grevistas ainda não perceberam, é porque este é um partido oportunista. Alimenta-se de todo o efeito secundário do exercício dos direitos. Querem um exemplo? Quando os imigrantes vêm em massa para ocupar postos de trabalho, digamos, menos dignos, trazem consigo as mazelas do descontrolo das políticas públicas. E quem aparece? O Chega, a aproveitar-se da situação para dizer que os imigrantes tiram o emprego dos portugueses, vivem de subsídios da segurança social, superlotam hospitais, quando se sabe que isso não é verdade. Professores e funcionários! A causa da Educação é uma das mais nobres e fundamental para que se possa fortalecer uma sociedade igualitária. Mas é preciso ter cuidado! Greves como esta, em vez de promoverem avanços, criam efeitos secundários, cujos resultados aparecem nas urnas, em favor, justamente, daqueles que mais querem combater as conquistas de Abril. Sejamos inteligentes, sem deixarmos de ser solidários aos trabalhadores da Educação.