Opinião: Manuela Cerdeira | Abracadabra
Por Jornal Fórum
Publicado em 23/04/2026 09:00
Opinião

Esta palavra Abracadabra, é uma expressão antiga que de certa maneira, está envolta numa espécie de mistério e que ficou para sempre associada à magia e que mesmo não existindo um consenso absoluto sobre a sua conotação, algumas teorias apontam para um significado bem interessante, pois diz-nos que este vocábulo, tem esse grande poder criador e que é como dizer:

“Eu crio enquanto falo.”

Hoje eu vou criar a minha própria opinião, sobre as duas guerras mais faladas presentemente, a guerra de Putin e a guerra de Trump, guerras estas, onde eu descortino diferenças abismais.

Mas vamos clarificar melhor estas diferentes guerras.

Enquanto a guerra de Putin foi classificada como uma guerra de Invasão, ou melhor um ataque a um Estado Soberano, independente e Livre, para poder controlar territórios da Ucrânia, a guerra de Trump teve como principal fundamento, pressionar governos com forte concentração de poder, como o da Venezuela um governo socialista completamente autoritário e o governo do Irão classificado como uma teocracia, onde o poder religioso tem uma enorme influência.

E enquanto Putin quer conquistar mais território Ucraniano, com um fim bem claro, que é o de voltar aos tempos do seu famoso imperialismo e ao mesmo tempo, impedir a aproximação da Ucrânia tanto à Nato como à União Europeia, já Trump o que quer, é conter regimes repressivos e autoritários e todas as suas ações, são apresentadas com um intuito de defesa, de liberdade e de bem estar desses povos, que têm vivido tempos tenebrosos e convenhamos, que os povos que se querem libertar desses regimes bem repressivos, todos eles são unânimes em dizer, que esta intervenção dos EUA foi bem vinda e que estão muito agradecidos, contrariamente aqueles que muito criticam esta intervenção, pois talvez nunca tenham vivido num pais onde as liberdades individuais, são claramente limitadas.

Falemos agora um pouco, daquilo de que todos falam, o famoso petróleo: Será que Trump foi para estas guerras, com essas segundas intenções, sobre este bem que é no fundo um Bem Global?

Ora se a Venezuela produz 1 milhão de barris por dia, o Irão produz 3 a 4 milhões de barris por dia e se os EUA produzem 13.5 milhões de barris por dia, será que Trump está mesmo de olho neste Bem Global que é o Petróleo e que nestes países, a produção é claramente inferior à verificada no seu país?

E estando esta indústria na Venezuela completamente obsoleta e a precisar urgentemente de imenso investimento e só depois disso, algo que irá demorar alguns anos, poderá chegar a produzir a mesma quantidade que o Irão produz, será mesmo que a questão foi o Petróleo?

Falemos agora da ONU, uma organização criada para garantir a paz, a segurança internacional, os direitos humanos e ainda um desenvolvimento sustentável, afinal que papel teve na garantia de direitos humanos nestes dois países, Venezuela e Irão?

Estes famosos países, que já viveram períodos de evolução e de maior abertura, hoje vivem bem reprimidos, prendem todos aqueles que têm ideias contrárias, matam indiscriminadamente os seus povos e em especial no Irão, as mulheres não têm qualquer direito, são violadas, humilhadas e mesmo mortas, mas depois de todo este cenário horrendo, António Guterres conseguiu enviar uma carta de congratulação ao Regime do Irão, aquando do seu aniversário, algo que foi bem contestado e condenado pelas organizações dos direitos humanos e convenhamos, que estamos perante um cenário bem paradoxal em pleno século XXI.

A verdade é que estas cartas de congratulações, que são consideradas um dever institucional, porque são uma obrigatoriedade desta instituição, levam-nos a fazer uma apreciação sobre as críticas desta mesma instituição aos EUA, devido aos conflitos levados a cabo com os países em questão, Venezuela e Irão, pois devido a esses tais direitos internacionais não terem sido aprovados, as críticas foram bem audíveis, contrariamente ao facto da ONU não ter criticado da mesma forma o Irão, por estes terem agredido países vizinhos, o que nos leva a concluir que nesta instituição, existem mesmo dois pesos e duas medidas.

Mas no que se refere ao Irão, não nos ficamos só por esse governo repressivo, temos que salientar ainda esse programa nuclear bem avançado e ainda essa capacidade apoiada num forte arsenal de mísseis balísticos e que contribui imenso para que exista continuamente uma tensão Internacional.

Mas este país é um completo perigo para a humanidade, pois agora até o Estreito de Ormuz querem controlar, um estreito que foi considerado internacional, segundo a Convenção dos direitos do Mar, o que significa que todos têm direito a passagem em trânsito livre e sem qualquer direito a taxas, será que o resto do mundo não entende o que se está a passar e não entende a ameaça, que este país é para o mundo?

De facto Trump tem uma personalidade bem fora do padrão habitual e consegue ter atuações diversas, algumas delas eu discordo por completo, como é o caso do apoio a Viktor Orbán, esse espião que Putin tem na Europa e que frequentemente é associado a uma governação, que é denominada de democracia Iliberal, onde também existe uma forte concentração de poder, mas no que toca à Venezuela e ao Irão, considero que Trump teve um papel relevante, quer no que toca à política de pressão sobre estes mesmos países, efetuadas através de sanções e medidas económicas, quer posteriormente com essas operações militares, baseadas em ataques bem cirúrgicos.

Na vida nada é a preto e branco, nem nada é permanente, tudo tem o seu tempo e hoje, conseguimos assistir a mudanças bem radicais, num curto espaço de tempo e ficamos assustados, com toda essa redefinição do equilíbrio global, porque vivemos tempos de grande transformação, que provocam a desordem e vai ser dessa mesma desordem, que vai acabar por nascer sem dúvida, a necessidade de reorganizar o mundo.

Vivemos sem dúvida tempos de profundas contradições, fala-se em direitos, mas toleram-se abusos, invoca-se a paz, mas alimentam-se conflitos e entre interesses e silêncios, o mundo vai-se tornando um lugar cada vez mais difícil de compreender e de aceitar, resta-nos a esperança de que venham tempos melhores, guiados por líderes mais fortes, equilibrados e comprometidos com a verdadeira transformação, que todos no fundo ansiamos.

Já George Bernard Shaw dizia e com muita razão:

“É impossível progredir sem mudança e aqueles que não mudam suas mentes, não podem mudar nada.”

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